domingo, 20 de dezembro de 2009

Vejamos se o velhinho é bom mesmo!

Querido Papai Noel,

Ou posso te chamar de Noel? Nô? Já disse que você fica bem de vermelho? E acho até que emagreceu, a circunferência da barriguinha parece bem mais estreita...tá malhando né?
Então, o negócio é o seguinte: preciso de tantas coisas que nem sei o que pedir primeiro. Sei que fui boa menina durante todo o ano, bem como durante toda a vida (pelo menos enquanto estavam olhando =P) e não haveria motivo algum para que o senhor, digo, você não me atendesse. Se der para quebrar meu galho eu agradeceria imensamente. Sem falar que esse ano de 2009 não foi muito fácil sabe? Eu deveria ganhar um bônus por ter sobrevivido a ele. Tudo bem, esquece o bônus, se der para trazer paciência, sabedoria, força para enfrentar 2010, amor (que eu não sou de ferro!), muito trabalho, saúde e um pouquinho de jujuba, já está de bom tamanho. Para mim e para as pessoas da minha "bem querência"...Se não for pedir muito! Ah! E se puder me ajudar a perder uns quilinhos também seria bom (mas traz as jujubas antes!).
Caso não dê para trazer tudo de uma vez na noite de natal, pode vir em doses homeopáticas durante o ano todo, não tem importância.
Desculpe o trabalhão, mas é que eu tenho que recorrer a quem eu puder. Se você não conseguir atender meu pedido, deve ter o esquema e saber como eu posso conseguir, não? Poxa você é um cara popular e tem credibilidade com as criancinhas do mundo todo, não deve ser tão difícil para você.
Bom, te espero por aqui então...vem com um casaquinho leve, que aqui tem feito muito calor. Se cuida!
Beijo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A casa das caixinhas de música.

Na casa das caixinhas de música não se ouve música. Não se ouve nada. Suas ilustres moradoras, bisa Lila e Tia Tica, possuem há certo tempo um adereço a mais nas orelhas além dos brincos: aparelhos auditivos. Então talvez eu esteja exagerando quando digo nada, se ouve muito pouco. Tio Durval, a quem quase não conheci, marido da Tia Tica, sempre foi colecionador de coisas, e deixou de herança uma porção de caixinhas de música, espalhadas por todos os cantos. Tem moinho, piano, carrossel, carruagem, guarda-roupa, bailarina, é só dar corda que a casa toda canta.

Já deve ter mais de 100 anos a pequena morada do bairro do Ipiranga. As janelas de madeira enormes, originalmente pintadas de branco, já tiveram o seu charme, a pintura das paredes agora gasta e escura pela foligem e poluição da cidade de São Paulo, acompanhadas de grandes rachaduras que vão do teto até o chão, uma escadinha pequena que leva a um pequeno alpendre, com algumas plantas, são imagens que me trazem vagas recordações da minha infância, e trazem lembranças de uma vida inteira para vovó Cleusa, minha companheira de viagem.

No caminho do aeroporto até a casa eu ouvi histórias da adolescência da vovó. Conheci o colégio em que ela estudara, a outra casa onde morara, onde aprendeu a tocar piano, onde a prima morava, onde a amiga fulana de tal fizera mil e tantas coisas. Histórias regadas a suspiros e saudade do lugar onde ela nasceu e cresceu. Acho gostoso de escutar e imaginar uma época diferente da minha, onde tudo era tão ingênuo e romântico. Época de andar de bondinho, homens galantes de chapéu e mulheres bem penteadas. Parece que tudo era tão bonito nas fotos.

Por falar em foto, conheci o meu bisavô Aristídes por uma fotografia. Não falam muito sobre ele, morreu muito jovem, quando a minha avó ainda era criança. Por todos os cômodos da casa existem lindos quadros e desenhos feitos por ele. O meu preferido é o que fica na sala, com dois cachorros garbosos, gosto de ficar observando a pelagem deles, as cores, os traços.

A casa além de cantar, range. Por ser toda de madeira por dentro, além do barulho que faz andar sobre os tacos velhos, tudo parece ter vida própria, os móveis antigos demais, as porcelanas, até as fotografias desde as mais antigas até as mais recentes. Eu tenho um fascínio especial pela escada escura em caracol no meio do hall de entrada que leva para os quartos, a clarabóia de vitral a cima dela dá um toque especial. Quando eu era criança eu tinha medo dela, mas ao mesmo tempo gostava de subir correndo e depois descer, só para me sentir a mais corajosa.

Mais coragem é preciso para ser a última a dormir na casa. Uma casa que range de dia é uma coisa, mas a noite, qualquer filme de terror não é nada. Por duas vezes já tive impressões de ter pessoas em lugares onde não deveria ter ninguém, fiquei despreocupada até a minha avó ter a mesma impressão. Depois disso passei a dormir mais cedo, enquanto todo mundo vai dormir. Não é que seja medo dessas coisas, imagina, mas é que eu não pretendo atrapalhar a atividade de qualquer fantasma que queira vagar por aí, melhor que eles assombrem enquanto eu estiver dormindo né?

Durante o dia, as horas passam devagar, não tem muito o que fazer. Meus assuntos de crochê, tricô e novelas nunca estiveram tão em dia, em meio a muita gritaria para se fazerem ouvir, vó Lila, tia Tica e vó Cleusa idolatram o Silvio Santos e comentam o noticiário “que só noticiam coisa ruim”, depois de darem o relatório de tudo que elas fizeram durante o dia, às vezes eu escuto mais de uma vez, que “o César comprou leite”, que “eu como muito pouco”, que “tem fruta na geladeira”, que elas comem sopa todo dia porque “a vó gosta”, que “tá chovendo”, com variações para “olha como chove!”.

Desde que eu cheguei o passatempo preferido delas é me entupir de comida e me encher de perguntas. Elas ficam espantadas que eu não tenha um marido na minha idade, e nem se quer um namorado, e eu que pensava e já estava até preparada achando que elas iam querer saber porque eu estou desempregada e quais são os meus planos para o futuro, nada disso...Além do mais aqui é o único lugar do mundo que brigam comigo quando eu quero lavar a louça, e como vocês devem imaginar a vontade nem era tanta assim.

Eu não conheço nada por aqui e toda vez que saio para explorar os arredores eu me perco. O museu do Ipiranga eu já sei de cor, mas eu sempre gosto de visitar, quero ver ainda o museu de zoologia que é aqui perto também. Hoje sai para fazer compras com a minha avó e fiquei impressionada como roupas e sapatos na Silva Bueno são artigos baratos e como comida é caríssimo. Amanhã iremos no mercado municipal do Ipiranga e será o dia de beleza da vó Lila e da tia Tica. Eu e a vovó vamos pintar e cortar os cabelos delas. Se elas deixarem faço até maquiagem, as convenci que era para tirar uma foto bonita para mandar para minha mãe mostrar para o pessoal de Goiás.

Acho que é a última vez que venho a essa casa. Ela está à venda, assim como as duas casas do lado. E quando eu voltar para Anápolis a bisa Lila vem morar com a gente. A Rua está em obras, o metrô agora vai passar por aqui, e provavelmente quem comprar as casas fará prédios ou pontos de comércio. As caixinhas de música? Cada um que vem aqui fazer uma visita leva uma de presente, embora elas não recebam muitas visitas. Muitas delas devem ir lá para casa...lá tem espaço e muita gente para escutar também.

domingo, 15 de novembro de 2009

Como fazer dar errado.


Eu sei que a maioria dos meus posts tem uma carga de hormônios femininos muito forte, mas me desculpem meninas, hoje o recado é para os meninos.

Se você garoto inexperiente, não sabe como se comportar na frente das garotas, é gente boa, tem seu valor, entretanto não consegue se quer demonstrar, porque é extremamente tímido e na abordagem acaba soltando algo vergonhosamente desastroso e sem sentido, ou você é só sem noção mesmo e deveria desistir desse malabarismo do amor urgente antes que alguém se machuque gravemente, acho que eu conheço alguns caras que estão no seu time.

Não! Você não precisa cortar os pulsos e nascer de novo (mesmo que seja da minha natureza ser uma pessoa positiva, eu acho maldosamente que talvez alguns devessem pensar nisso com carinho), e as famosas "pedreiradas" (cantadas de pedreiro) também não precisam ser abolidas. Elas tem até um certo respeito da minha pessoa se ditas com requinte e charme. É o que eu sempre digo: "o instrumento todo mundo tem, porém é muito importante saber usar".

Já me diverti muito com a criatividade da galera para chegar em mulher e estranhamente, como é tendência na minha vida (ou até por atrair esse tipo de homem estranho...não sei, é uma teoria!), eu consegui reunir a maior quantidade de cantadas ruins por metro quadrado. Não sei se eu me sinto lisonjeada ou preocupada. Eu até acho que os pobres garotos andaram pegando umas aulinhas com o ilustríssimo Sr. Cordeiro e passaram na matéria com louvor, se graduando em afastar as menininhas da maneira mais bizarra possível.

Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia, entretanto me sinto no dever de fazer algo sobre, sendo eu mulher, alvo e sentir que meus ouvidos às vezes sangram. Prestem atenção rapazes: Não existe a maneira certa, mas definitivamente existe a maneira errada. Vamos aos exemplos de como não se deve (em hipótese alguma) fazer. Reforço o pedido: por favor não tentem isso em casa, se isso por acaso lhe passar pela cabeça, ou se for inevitável e acabar escapulindo, atenção ao procedimento correto: se jogue no chão, finja uma convulsão e comece a babar, em seguida troque de nome, país e talvez de sexo. Vamos lá:

1) Cantadas de Açougueiro

É a versão piorada das cantadas de pedreiro. Esses senhores de roupas, avental e galochas brancas, parecem inofensivos, meros trabalhadores braçais fazendo um trabalho sujo, muito sujo, que ninguém quer fazer. Mas pensem com cuidado, eles estão cobertos de sangue dos pés a cabeça, e isso é uma constante na vida deles, me incomoda de certa forma, acho que é algo que fica registrado no meu subconsciente, pela quantidade de filmes de terror carniceiros que eu já assiti no decorrer de toda a minha vida, que não foram poucos. Quando eu era adolescente eu tinha uma estranha fixação por esse tipo de filme, eu digo estranha porque eu sempre passo mal...Vejo sangue e caio no chão, é tipo automático, não importa quão laranja e falso o sangue possa parecer, meu cérebro não se convence de que é ficção e mesmo assim eu ainda vejo; enfim...voltando ao nosso assunto...

Construam em suas mentes a seguinte cena: A moçoila sai de casa em um domingo de manhã, vestindo short velho rasgado, camiseta relaxada, sandália rasteira, cabelo desgrenhado e cara amassada de quem acordou a 20 minutos (ou seja, muito mulamba, afinal é domingo e ela está de mau humor, mas esse visual só faz reforçar a principal regra da pedreirada: "Se moveu, usa saia, é capaz de fazer xixi sentada, terá seu ego massageado"). O objetivo era comprar meio quilo de patinho moído para o almoço. Chega no açougue do mercado e pergunta educadamente ao açougueiro "Tem patinho para moer?" (uma pergunta simples, no máximo engraçada, se considerar o que possa vir a cabeça, tendo uma imaginação muito literal), na qual o açougueiro muito animado, com um sorriso radiante diz "Não moça, a carne que tem é essa aí já moída, na bandeja, e só tem acem". Até aí tudo bem, percebemos uma relação saúdavel entre cliente e profissional. A coisa começa a ficar bizarra quando ele sai de trás do balcão e a olha de cima embaixo dizendo "Não serve?". A moça finge não perceber nada fora do normal e diz "Acho que serve, mas tem como moer mais uma vez?" e o açougueiro dá uma piscadinha muito desastrada e solta " Para você, eu moía todo dia e toda hora!". E foi assim que ela virou vegetariana....Tá nem tanto, ela se limitou a um "Obrigada?!" muito sem jeito. Então o que eu digo não é "Não sejam açougueiros!", apesar de eu achar que todo mundo poderia ter um emprego melhor que esse, sem ofender os que o sejam, mas por favor não use metáforas constrangedoras sobre a sua profissão como instrumento de cantada, eu acho que dá totalmente errado.

2) Cantadas subliminares

Há quem se ache muito esperto, possuindo técnicas avançadas na arte da conquista e afirma que tratando-se dessa assunto vale tudo, inclusive mensagens subliminares. Talvez isso funcione com os filmes da Disney ou nas propagandas da Coca-Cola, mas em matéria de cantada....não sei não! A mensagem é detectada muito conscientemente, eu diria mais, recebida repulsivamente.

A técnica se limita a inserir no meio de uma conversa banal, frases que induziriam "a vítima", mais conhecida como a mulher-alvo em questão, a pensar que quem lhes fala é seu objeto de desejo, e pior ainda, que isso é algo incontrolável e inevitável. Vejamos uma simulação de como esse ato subversivo se desenrola. Considere que as mensagens subliminares são ditas muito rápidas e em voz baixa, quase que para que não se possa ouvir, inseridas em uma conversa de qualquer temática.

" ...então, eu acho que o país possui o governo que merece...Você me quer!...A gente fica indignado com a corrupção, mas não faz nada...Você me deseja!...Quem vota nulo para mim não tem direito de protestar contra coisa alguma...Você me quer muito, me deseja muito e acha que eu sou o amor da sua vida!...E eu digo mais, um dia ainda serei presidente!"

Vos digo uma coisa: isso não funciona, mas se feito do jeito certo, pode ser muito divertido e você vai continuar sem mulher.

3) Cantada semianalfabeta.

Inteligência não deveria ser uma qualidade e sim uma obrigação, item de fábrica mesmo. Nada mais deselegante do que falar errado e principalmente escrever errado. Tudo bem do cara querer dizer ou escrever coisas sem sentido, idiotas, cafonas; em certos casos é bem simpático e até engraçadinho; mas se vai entrar nessa e vai mesmo se prestar a esse papel, por favor que venha pelo menos de forma correta. Dói no meu coração ler " Te quero de mas!" ou escutar "Você tem uns colchão, hein?", principalmente se você prefere dormir pendurada em rede.

Piadinhas infames à parte (só para não perder o costume), fico muito desiludida... Tem garotos que possuem o potencial, papo agradável, sorriso bonito, tiradas inteligentes, humor inabalável e um português lamentável. É de desencorajar...


Percebam que tudo que foi dito faz bastante sentido e longe de mim encorajar um pensamento de que nós mulheres somos umas chatas exigentes, só somos sensatas, e senso é sempre bom ter à mão e aos previnidos de plantão, no estoque também. Espero que os rapazes tenham prestado bastante atenção, extinguindo esse tipo de comportamento totalmente de suas vidas e que as moças tenham compartilhado comigo desse momento de desabafo-advertência, e sobretudo que todos tenham dado boas risadas, que é o procedimento aconselhável ao receber qualquer tipo de cantada ruim.