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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Onde os sonhos são feitos.


Me lembro bem de ouvir falar sobre ele nas aulas de cinema da faculdade, Georges Méliès. Precursor da sétima arte, conhecido como "pai dos efeitos especiais", grande ilusionista e fabricante de sonhos. Fiquei encantada e lembro ter pesquisado bastante sobre ele. Existem vários filmes dele no youtube que conseguem ilustrar bem o que eu quero dizer. Esse francês, produtor e por vezes ator de mais de 500 filmes, conseguiu captar a essência do cinema. Trouxe para os olhos de todo o mundo, mais do que os irmãos Lumière poderiam imaginar quando inventaram o cinematógrafo. Com técnicas duplas de exposição e o efeito que ele chamou de stop-action, fizeram com que as pessoas compartilhassem com esse grande cinegrafista, uma infinidade de sonhos malucos, viagens à Lua e a mundos inimagináveis. 



E não é que para a minha surpresa, na tentativa de fugir um pouco de toda a alegria de um belo feriado de carnaval, eu fui assistir à um filme no cinema, de forma tão despretensiosa, e fiquei absolutamente encantada por algumas razões que vou lhes explicar. Primeiro porque tem uma fotografia linda, depois porque a história se passa em Paris, especificamente em uma estação de trem da cidade e além de contar um pouco da história desse francês fantástico, o Méliès, o filme se mostrou muito profundo e falou comigo de um jeito que eu não esperava.

O filme, produção de Martin Scorcese, intitulado a Invenção de Hugo Cabret conta a história de um órfão que vive na estação de trem cuidando da manutenção dos relógios. O enredo é um mistério que envolve uma máquina que o pai achou em vida, descobertas interiores e a sétima arte. Os personagens são tão singulares e ao mesmo tempo tão complexos, o clima parisiense e a trilha sonora compõe uma atmosfera envolvente e que me chamem de louca, mas o filme falou comigo o tempo todo.


Há uma parte do filme em que a amiga de Hugo, Isabelle, questiona sobre o propósito das pessoas no mundo, então o garoto fez uso de uma metáfora que eu achei fantástica. Ele diz que imagina o mundo como uma grande máquina, cheia de engrenagens e peças, sendo que não existe nenhuma delas sobrando. Todas são necessárias para o perfeito funcionamento dessa "máquina". Assim, todas as pessoas são parte fundamental do funcionamento perfeito da vida, mesmo que algumas precisem ser "concertadas", cada uma está em seu lugar e é essencial.

Eu que ando cheia de indagações sobre o meu propósito no mundo, se não caiu como uma luva como resposta, veio iluminar um pouco meu caminho. Daqui a 40 dias mais ou menos, estou indo para a França, mas calma, é a passeio, devo voltar. Vou conhecer a torre eiffel, o arco do triunfo, a champs elysées, museu do louvre , rio senna, com certeza a estação do Hugo Cabret e quem sabe saber mais sobre Méliès. Se não é lá em Paris que os sonhos são feitos, cenário de tantas personalidades famosas, descobertas e invenções revolucionárias, eu sei que é lá que moram alguns deles, e conhecendo o sonho dos outros quem sabe eu não encontre o caminho dos meus próprios. 

A viagem em si não deixa de ser a realização de um sonho. Espero assim que voltar, um tanto quanto insuportável talvez, eu possa dizer que tenha de certa forma encontrado respostas, ou não, só tenha tido um pouco de aventura me perdendo nas ruas de paris e me envergonhado bastante com o meu francês de meia tigela. Então..Au revoir! Baisers!

tonight tonight

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Colonização lunática.

Estamos prontos pra ir pra casa nova!
Sem querer que pareça poesia, mas o mundo da lua é para mim, desde criança, um refúgio. Meu esconderijo secreto, o lugar preferido de todos aqueles que em algum momento da vida não sabem para onde ir, ou simplesmente querem se desligar de alguma forma desse planeta. Eu não pago a viagem, nem estadia, aluguel ou pedágio, e essa é a maravilha da coisa toda.

Temo que daqui há uns tempos eu não possa circular tão livremente pelo nosso satélite natural. É que alguém - segundo ouvi dizer - resolveu privatizar a lua e anda vendendo acres de terra (ou de lua) por lá. Também achei que fosse lorota, mas não é que fiquei surpresa de poder confirmar a história, vendo com meus próprios olhos, uma escritura de um terreno lunar, em uma cratera com vista para a Terra. Escritura essa, de uma pessoa do meu convívio, da qual nunca duvidei que fosse capaz de fazer algo tão excêntrico, mas que terá sua identidade preservada porque não me foi permitido tanta exposição.

Diante de risadas e comentários incrédulos, a pessoa em questão me mostrou os documentos e até me permitiu fotografar para provar seu mais novo, que nem é tão novo (de 2008), e lunático investimento. (Mas no caso perdi as fotos, portanto, acreditem na minha palavra!)

Como pessoa investigativa e curiosa que sou, fui na minha fonte favorita de informação: o Google, pesquisar de qual era essa de venderem crateras. Encontrei informações impressionantes sobre o assunto. O grande colonizador da lua, que atende pelo sugestivo nome de The Head Cheese, já vendeu a milhares de pessoas ao redor do mundo, terrenos lunares por uma bagatela de R$57,00 o acre. E o mais interessante é que nunca se escondeu algumas peculiaridades dos imóveis como: a não existência de ar ou água, temperaturas tórridas de 110°C durante o dia e -155°C à noite. Ainda assim, as pessoas acreditam que algum dia será possível e até necessário ligar para o disk mudança para transportar umas coisinhas para a lua.

Fiquei pensando quem poderia ter dado a esse Sr, a permissão para vender tais propriedades? Para manter esse tipo de negócio, ele se baseia no Tratado de Espaço Exterior das Nações Unidas, de 1967. O tratado, elaborado durante a corrida espacial, no auge da Guerra Fria entre EUA e a ex-União Soviética, decretou o espaço "propriedade de toda a Humanidade". No entanto, não fica comprovado qualquer valor legal nesse negócio.

Isso significa então que a Lua continua sendo de todos. Em qualquer fase, em qualquer planeta. Portanto, comprar um pedaço de lá, seria tão somente para assegurar uma propriedade que já é nossa. Comprar uma falsa garantia de poder ter um lugar dos sonhos só para si. Um investimento de luná...digo sonhadores, que acreditam num futuro, que distante ou não, não deveria ser descartado de forma alguma.

Eu ficaria honrada em um dia ser vizinha do pequeno príncipe, mas não pagaria a nenhum cabeça de queijo para obter esse direito. A Lua é dos poetas, dos amantes, dos sonhadores, de todos os que a apreciam e é de graça, pelo menos por enquanto...




sábado, 1 de outubro de 2011

Vestido.


Ela passou toda a vida como a guardiã daquelas palavras certas, para um momento que não sabe se existe no mundo dela. Escolhe-as como quem está predestinada a escrever o melhor poema ou a história mais bonita já contada. Quem pode saber? Tira o seu vestido preferido do armário, parece que há tempos ele não encontra motivos pra sair de lá. Sente como que tomada por super poderes, embora consciente que ela nunca fora super em nada. Não enxerga as barreiras, assim, tudo o que tem a fazer é usar as palavras, o vestido e os super poderes. Ela deixa transbordar do peito o mais nobre sentimento, busca lá no fundo aqueles antigos sonhos, que se quer contou pra alguém. Constrói das intenções, as melhores e espera que seu esforço seja reconhecido. Então deixa que o medo tome conta, ao menor sinal de que o mundo não está de braços abertos para ela. Se sente a pior criatura já existente e coloca o vestido de volta no armário. Muito cansada, dorme em cima dos sonhos, agora mais amarrotados que a roupa que acabara de guardar.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Esse não é um manifesto contra a tristeza.



É um desabafo.

Sabe ritmo acelerado? Então, parece que eu sei! Ando me deixando levar por uma inércia louca, daquele jeito que me sinto cansada demais para ouvir meus próprios pensamentos. Calha às vezes de eu prestar atenção, entre uma dor de cabeça e um sono exausto. 

E daí que um dos meus pensamentos escapou hoje e veio crescente durante todo o dia: que tem gente que nasceu pra ser triste. E pior ainda, às vezes a gente vive essa tristeza que não é nossa como que pra ser solidário ou para ver se dá pra repartir um pouco a dor do mundo pra ninguém sair prejudicado. E sendo até um pouco insensível, chego a pensar se não é por osmose que a gente se inunda de tristeza.

Não que eu seja a pessoa mais feliz do mundo, e nem tenho a pretensão de ser, mas tem gente que gosta de levar no rosto sempre aquele semblante de quem está constantemente sofrendo pra viver, e isso eu não consigo entender, eu se quer respeito quem trata tristeza com tanta banalidade. Longe de mim fazer filosofia barata, porque eu sou um zero à esquerda no que diz respeito à muita coisa, eu só sei das minhas dores, dos meus vazios, das minhas saudades e eu me obrigo a suportar, nada disso me deixa ser triste (demais). Da dor dos outros eu não consigo entender, o que torna a tristeza alheia difícil de compartilhar. 

Correndo o risco de ser massacrada por todas as pessoas tristes, muito tristes e insatisfeitas com a vida ao redor do mundo, deixo claro que elas não tem que suportar nada, mas seria esperto da parte delas que o fizessem pelo bem da sobrevivência da espécie. Existe melhor safanão que o conflito, o sofrimento, a tristeza? Dá uma despertada pro que está saindo errado, nos faz querer não ter mais esse tipo de sentimento, é a hora de "sacudir a poeira e dar a volta por cima". Até acho que uma dose de tristeza seja bonito; rende umas poesias profundas, umas músicas boas para curtir dor de cotovelo ou uma ligação inoportuna no meio da madrugada, que vai te deixar constrangido depois que o efeito do álcool passar, mas até isso vai te ensinar alguma coisa. Exagero disso já cansa e não faz sentido. Se dura por tempo demais então é doença, que requer tratamento e isso é papo muito sério. 

Não precisa se munir de gargalhada ou alegria de viver, tudo isso era pra eu dizer de uma forma educada que ser triste o tempo todo é chato, e o pior de tudo é que desencanta. Me desencanta! E depois de hoje, muito desencantada e um pouco mais triste eu percebi que talvez eu não esteja conseguindo ajudar muito, e era só o que eu tinha que fazer. Acho até que seria glorioso desfrutar de uma semana melancólica, porque talvez essa repúdia seja total inveja de quem consegue morrer de tristeza, mas eu sei que um pouquinho de lágrimas de secagem instantânea, e um pouco mais de chocolate que eu poderia comer vão resolver tudo, pelo menos pra mim.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Por estar distraída.


Hoje eu encontrei em mim 3 fios de cabelos brancos. E eu não sei como eles apareceram assim desavisados na minha cabeça. Acho que estava distraída. Estive por tanto tempo assim, que nem me dei conta de tudo que mudou. Ou será que fui eu que mudei? É bom que qualquer coisa tenha mudado no fim das contas.

No fundo, todos nós vivemos distraídos. O suficiente para não observar que um ninho de passarinho foi construído na árvore ao lado da janela, que ao que tudo consta também sempre esteve ali; assim como a janela; e eu nunca tinha percebido quanta luz deixa de entrar quando ela não está aberta, junta mofo aos montes. Ela nem sempre esteve fechada assim...

Eu também ando fechada, eu sei disso. Um pouco mofada e distraída, acho que eu já disse...Mas como é que faz? Eu tenho aquela sensação de que eu não consigo acompanhar, eu não consigo perceber, que dirá absorver. Tenho a sensação de passar pela vida, como eu passo pela time line do Twitter (será que só eu não consigo acompanhar?) Acabo perdendo o interesse, no máximo me chama um pouco mais de atenção algo mais colorido, que reluza, que grite, que cante como um passarinho ou que salte na minha frente dançando macarena, caso contrário eu filtro. 

Com isso eu perco, é claro. Ser mais atenta me renderia mais conteúdo, mais encontros que desencontros, um pouco mais de sensibilidade para saber aproveitar melhor aquilo que chamam de vida, e pelo que eu me lembro eu tenho algo parecido com isso escondido em algum lugar. Pode ser que coisas importantes estejam se fazendo presentes; piscando em néon; e talvez eu devesse parar de perder e de usar minha desculpa preferida: estar distraída.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Aparição.


Eis me aqui. 
A frase que eu escuto mais que "bom dia" é "você está sumida" e isso é verdade sim.
Minha culpa, minha máxima culpa.  
Eu poderia explicar que meu ritmo de vida anda acelerado, estou trabalhando demais e não tenho tempo para nada. Poderia dizer que uso meu tempo livre em uma causa nobre prestando auxílio aos desabrigados das enchentes. Estar em uma viagem em busca do meu "eu interior" também ficaria bonito de eu dizer, no entanto eu não tenho nenhum bom motivo para me desculpar.
É claro que eu não tenho mais tantas noites livres, os dias eu já nem digo nada. O meu celular não funciona direito e eu não tenho mais paciência para as redes sociais da internet. Só isso já me faz não existir.
No entanto, estou de férias! Desiludida, chateada, me sentindo diminuída por uma série de fatores que não vem ao caso, porém de férias e tentando me fazer presente...

Me aceitam de volta?


terça-feira, 2 de novembro de 2010

19:19

Eu não estava querendo admitir para vocês, mas eu sou super supersticiosa (cacofônica também, desculpe!). E tenho dificuldades em admitir coisas que me fazem parecer de certa forma mais um ser humano esquisito no mundo, mas enfim...

Sou do tipo de pessoa que entra com o pé direito nos lugares. Acho que se o meu crachá da empresa enroscar em alguma coisa na bolsa, meu dia vai ser péssimo. Não corto o cabelo em lua minguante. Não como a última bolacha do pacote para não ficar solteira para sempre. Faço pedidos quando vejo estrelas cadentes, quando acendo um incenso e quando apago as velinhas do bolo de aniversário. Não bebo sem brindar. Sou muito ligada aos meus sonhos e acho que a maioria tem significados obscuros, como sinais do que está por vir na minha vida ou avisos de cuidado. Comprei um baralho de tarô e faço uso dele.

É meio bobo, é verdade! Mas é uma coisa minha e dá certo na maioria das vezes e é a desculpa perfeita que eu uso para quando algo sai errado." É conspiração do universo!" Nem tudo eu levo muito a sério, como por exemplo, não passo embaixo de escadas porque eu não quero que ela caia na minha cabeça, não gosto de quebrar espelhos porque é uma dó que se quebrem e seria uma lástima para a autocrítica da minha imagem. Gosto de gatos pretos. E acho que sexta feiras 13 são dias como qualquer outro.

Porém, ultimamente algo tem me incomodado. Há umas duas semanas mais ou menos um evento estranho ocorre quando eu vou consultar as horas: horas e minutos iguais! Acontece com frequência, 9:09, 13:13, 17:17. Já aconteceu 5 vezes em um dia só. Alguém explica para minha cabeça que isso não quer dizer nada. A paranóia se instalou e fico imaginando motivos bizarros que expliquem esse fenômeno.

A propósito são 19:19!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Influenciável! E daí?

Nasci no interior de Goiás, no coração do Brasil. O meu estado é conhecido pela proliferação de cantores de música sertaneja e o meu país é reconhecido mundialmente pelo futebol. Embora, geograficamente falando, tudo contribuísse para que esse fosse meu mundo, esse não é o meu mundo. 

Aprendi com a minha família, desde pequenininha, a não praticar esportes, e diz a lenda que a culpa é de um joelho podre que é legado por várias gerações. Eu ainda não recebi essa herança, diga-se de passagem, mas ganhei um bocado de preguiça e faltou disposição. Enfim, contudo, eu não aprendi a gostar de esportes, tão pouco acompanhar jogos pela TV ou torcer religiosamente por um time, eu no máximo assisto ao vôlei, de preferência o masculino, porque eu acho que existem uns jogadores muito "bons" e isso é tudo. Sempre pensei que fosse aburdo as pessoas praticamente chorarem sangue se os seus times de futebol do coração perdessem. Elas sofrem muito e eu nunca pensei que pudesse ser sincero. Afinal de contas o que elas ganham com tudo isso? Não é só um jogo? Os craques do futebol ganham suas pequenas fortunas vencendo ou  não os jogos enquanto os torcedores enfartam nos estádios ou em frente aos televisores. E eu sempre achei que esse negócio de esporte era exercício do espírito competitivo, não é não?

Eu não entendia esse tipo de comportamento até ontem. 

Por uma ironia do destino fui trabalhar em uma grande empresa que patrocina cinco times de futebol. Por tanto, isso involuntariamente começou sim a fazer parte do meu mundo. Até então eu sempre encarei isso como uma planilha de excel, ou seja, faz parte do meu trabalho, é algo com que eu tenho que conviver, mas eu não preciso conhecer profundamente ou se quer gostar. Porém, ontem fui convidada a ir ao jogo do Goiás x Flamengo no Serra Dourada, ganhei um ingresso na área VIP, na torcida do Goiás com direito à um lanche generoso e ótimas companhias que me explicavam com paciência que os jogos no estádio não tinham replay e nem narração, que impedimento nem é tão difícil de entender, e que o cara todo vestido de preto não é de time nenhum é só o árbitro.

Depois de mais de três meses sem chuva, o céu decidiu desabar em água na cidade de Goiânia, tudo para deixar essa minha primeira experiência futibolística mais interessante. Não me importei de estar molhada dos pés a cabeça, nem de estar cansada à beça por conta do dia extenso de trabalho, tudo o que eu sentia era um arrepio na espinha de ver quase quatorze mil pessoas torcendo e cantando em coro, enquanto a chuva fina caia iluminada pelos refletores enormes, tão bonito de se ver que parecia até purpurina. Os vendedores ambulantes, surgindo do nada, gritando "Olha a capa!", como quem grita "olha a barata!", mais como quem assusta que como quem quer vender. Dentro desse mundo que eu nem podia imaginar me vi rodeada de gente velha, de crianças, de mulheres (que às vezes torciam muito mais que os homens), todos torcedores fiéis e apaixonados. 

Eu sofri, eu admito. Sofri porque em determinado momento me vi torcedora do Goiás como se o tivesse sido a vida toda, e o time é ruim para danar, e segundo me explicaram está rebaixado e talzs. Nada disso importou na verdade, fui na intenção de não torcer por ninguém, mas sou goiana né? Além de ser mais lógico que eu torcesse para o Goiás, aquela massa de torcida verde me contagiou de tal forma que eu vibrei como nunca!

O Flamengo fez dois gols no fim das contas, um contra e um nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Então se deu empate, suponho que a ruiva aqui não deu tanto azar. Gostei muito de ir a um estádio e digo até que iria outras vezes. Acho que tudo bem que eu comece a simpatizar com o esporte, eu vou conseguir sobreviver à essa mudança drástica de opinião.

Torcer acidentalmente para o Goiás e simpatizar com o futebol ainda vai, mas música sertaneja é algo que eu ainda tenho que acostumar. Eu tenho uma reputação musical a zelar, cresci ouvindo mpb, samba, rock, as boas músicas. Daí que tem uma porção de gente do meu convívio que gosta de música sertaneja e acha que essa é a boa música. 

Seria muito preconceito da minha parte dizer que eu abomino, até porque eu não tenho costume de ouvir.  Só que eu acho de verdade que todas as duplas sertanejas são exatamente iguais, as músicas são muito parecidas, tem ritmos grudentos, letras carregadas de clichês românticos e aquele vibrato na voz dos cantores que eu particularmente não gosto. Aí inventaram uma nova modalidade: o sertanejo universitário. Alguém sabe qual é a diferença? Para o público jovem, tudo bem.

Mas olha eu me entregando de novo e sendo influenciada pelo meio, admito que derrubei o meu muro das idéias pré concebidas e até já dancei de rosto coladinho ao som de "chora me liga" e quer saber eu achei tão bom! Pronto falei!

As pessoas que me conhecem há algum tempo, a essa altura do post devem estar um pouco preocupadas. Não precisa! Tá tudo bem, ainda sou eu! Pra eu vestir uma camisa de time e colocar um chapéu de aba na cabeça demora uma eternidade...


 "Cos amigo" sofrendo no Serra Dourada!

domingo, 5 de setembro de 2010

Meu interior não é tão bonito assim.


Tenho dentro de mim uma intrusa que me atormenta. Antes fosse minha consciência, mas não podia ser tão bom assim pra ser verdade. É a danada da H. Pylori, uma bactéria muito empenhada em me fazer sofrer. Ela me deu de presente uma gastrite, e como consequência uma dieta forçada que me fez abdicar das coisas que eu mais gosto de beber e comer. E o que é uma vida sem sacrifícios não é mesmo? É o que eu venho repetindo para mim mesma como um mantra.

Tive que visitar médico e eu tenho pavor. Na top lista das coisas do medo está par a par com rato, extraterrestre e luta de espada. Não gosto mesmo, fico nervosa, os sintomas se intensificam , e ainda tem os exames, que no meu dicionário significam picadas de agulha, seguidos de desmaios ou não, tudo vai depender da quantidade de sangue em demonstração. Nessa minha última visita ao médico, eu quase me senti feliz quando ele limitou os procedimentos a gel frio no abdômen e enfiar uma câmera guela abaixo para análise da minha beleza interior.

Sim, eu fiz ultrassonografia abdominal e a temida endoscopia ( e é essa a parte que eu não me sinto feliz...). Como se eu não estivesse apavorada o suficiente no período pré-exames, colhi alguns depoimentos interessantes de conhecidos: "É ruim demais! Se você fizer náusea na endoscopia vai sentir muita dor", " Me deram um sedativo e eu cantei a enfermeira!", "Eu xinguei a enfermeira!", "Achei que era pedra na vesícula e era bebê!". Nada como ser tranquilizada por aqueles que te querem bem.

No dia anterior aos exames, fiz minha última refeição como quem vai para a forca, comi meu prato predileto pouco me importando se me faria mal ou não, pedi a extrema unção e já pensava qual seriam as minhas últimas palavras. Chega  o grande dia e aquela sensação de que é a última vez que se vê a luz do sol aumentando, um filme da minha vida passa diante dos meus olhos. Pausa dramática para ressaltar que todo meu sofrimento era intenso e levei minha mãe para me acompanhar, porque, quem se não a mãe da gente para nos acalentar nessas horas tão difíceis? 

Enquanto esperava na salinha, eu via todas aquelas pessoas que também fariam a endoscopia. Para o meu desespero elas entravam e não saiam. A enfermeira abre a portinha e chama um por um com uma voz entediada e entediante que estava me deixando mais nervosa. "Joyce de Abreu Pfrimer". Sou eu!  Dei um pulo da cadeira, assustada o suficiente para esquecer bolsa e mãe para trás. Primeiro era a ultrassom, e foi até boa a sensação do gel frio na barriga, melhor ainda a sensação quando o médico disse que estava tudo normal e que não havia nada de errado com minha vesícula, rins, bexiga, útero e ovários. 

Em um lapso de inocência, pensei aliviada que não precisaria de endoscopia. Eis que o médico destrói o meu mundo e diz que não dava para ver meu estômago. Tensa de novo! Mais espera, mais pessoas que entram e não saem, e enfim chegou a minha vez. Entrei em uma sala bem branquinha e asseada como nunca vi, cumprimentei as enfermeiras, mas fiz questão de não olhar muito bem para o rosto delas, uma espécie de respeito ou medo das carrascas. Me fizeram deitar de lado e uma delas amarrou o meu braço e veio pra cima de mim com uma injeção imensa, a maior injeção que todo o meu medo infantil de médico conseguiu fantasiar e ela me disse que eu sentiria uma leve tontura. 

Apagão.

Foi tão frustrante, porque eu não consigo me lembrar de nada. Só acordei às 15:30 da tarde arrastando a língua para falar de tão zonza. Não sei se doeu, não sei se eu xinguei a enfermeira, eu não vi o médico, não lembro como fui para o carro, nem como cheguei em casa. Não sei se com todo mundo que faz esse exame é assim, mas essa sensação de abdução é esquisita. Fazem experimentos com você, tiram pedaços do seu estômago para biópsia e você não se lembra de nada. Depois disso contato de 4º grau é fichinha.

O resultado deu gastrite crônica e eu tive que esperar 2 semanas, por não haver horário no consultório e depois mais duas horas em uma sala de espera, sem almoçar, assistindo à propaganda eleitoral, e aprendendo nas revistas como "perder 5kg em um mês" (coisa que me pareceu óbvia seguindo a receita da  matéria que proibia qualquer alimento, pelo menos os que fossem gostosos) e "como enlouquecer meu gato na cama". São nesses momentos que você descobre o quão ignorante é. Me pareceu bem absurdo viver sem aquelas informações todo esse tempo.

Enfim depois de tanta espera e drama pessoal, o médico queria bater o record e leu meu exame, me passou uma receita de remédio, me deu um panfleto informativo para evitar a fadiga de ter que me explicar sobre a doença, restringiu a minha alimentação e disse que se minha dor não passasse não queria me ver nunca mais, tudo isso em inacreditáveis 3 minutos e 49 segundos. Achei muito simpático da parte dele, por toda a atenção que ele não me deu. Eu bem que tentei ficar calma, mas minha gastrite saiu ainda mais nervosa.







terça-feira, 27 de julho de 2010

Ops!


"Eu podia muito bem fingir que não vi essa grande jaca bem no meio do meu caminho, mas eu pisei porque eu quis!"

domingo, 27 de junho de 2010

"...Isso é lá com Santo Antônio..."


Passei o dia dos namorados com a minha mãe e como muita gente há de pensar, acho que isso é um mal sinal. Não que mamãe seja má companhia, muito pelo contrário porque mamãe tem adorado uma balada, estando mais nova que eu pelo menos uns 20 anos. Mas é mal sinal, porque desde que atingi meus psicológicos quarenta anos não consigo mais me animar para festas, dormir depois das duas da manhã e me atirar no mundo do flerte e da paquera. Dançar até o chão então só na base do óleo para as articulações, caso contrário fico lá mesmo: no chão.

E não é de admirar que me vi no dia 12 de junho em uma festa junina, com pessoas com o dobro, ou então metade da minha idade, vestidas com roupas trabalhadas na xita, xadrez, chapéus e trancinhas, dançando frenéticas uma quadrilha improvisada, bebendo e se divertindo, coisa que eu deveria também estar fazendo e até fiz, mais por inércia do que por vontade . Esqueci que era dia dos namorados, esqueci que estava sozinha e esqueci que eu tinha pseudos 40 anos.

Eu sempre adorei festa junina: as comidinhas, as bandeirolas, as brincadeiras, correio elegante, o figurino e as simpatias (que é de meu conhecimento recente). Dia 13 de junho é dia de Santo Antônio, e a véspera dessa data, segundo me explicaram, é tempo de esperança para moçoilas encalhadas, que travam uma batalha contra a solidão em busca do amor verdadeiro.

Talvez por falta de admitir eu não era uma delas até me convencerem a fazer a tal simpatia. Fiz, confesso que sem nenhum orgulho de o estar fazendo! E para me explicar e justificar, não foi um ato de desespero,  fiz por diversão e queiram por favor fingir acreditar!

A simpatia consistia em acender uma vela na intenção do Santo e pingar a cera em uma bacia com água limpa o número da minha idade. Depois do feito, aguardar pela revelação de uma letra que se formaria com a junção da cera sobre a água, que seria a inicial do meu príncipe, futuro amor, próxima vítima ou como queiram denominar. Eu sinceramente não enxerguei letra alguma, ao meu ver poderia ser um "D", um "P", um "T", um "L", até mesmo uma letra grega, porque a coisa ali estava mais amorfa que a minha vida amorosa, porém a moça que me ensinou a simpatia jura que ali se formou um "A". Caraca! "A" de "Advir" (há de vir!), pensei na hora.

Percebi ali uma certa implicância  de Santo Antônio que resolveu tirar uma com a minha cara, já não bastasse a humilhação de ter de lhe implorar por um amor, ele ainda se fez assim tão enigmático. E a simpatia não acabava aí...Eu teria de apagar a vela e escrever nela um pedido, lambuzá-la de mel, acendê-la novamente e deixar queimar até o fim. A moça que me induziu a esse pequeno ritual amoroso, ainda me benzeu, proferindo umas "palavras mágicas" para que tudo se realizasse, não me lembro bem o que ela dizia, mas tinha haver com encontrar amor eterno, fiel e não sei o que lá mais, abratisezamo, sinsalabim, alacazam, abracadabra, amém!". Ainda tinha alguma coisa de espetar uma bananeira à meia noite, mas eu não quis mais me prestar a esse papel. Talvez por uma superstição pessoal inconsciente sem muita explicação, eu tenho certo medo desses rituais que se passam à meia noite. Achei que era demais né?

Vamos dar um tempo para Santo Antônio trabalhar que o negócio não vai ser fácil não. Acho até que vai ser bem difícil, porque uma mulher "velha" assim como eu anda meio fechada para algumas coisas da vida e isso inclui amor. Tenho idade para isso mais não! É o que o meu cérebro e a minha crença de que nada disso funciona dizem...contestando a minha idade fisiológica e os meus hormônios que querem que essa simpatia dê certo "de cum força".

Arthurs, Antônios, Alexandres, Albertos....me aguardem! Diz a lenda e a benção que é pra sempre. Se der certo mesmo, fudeu!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Cafezinho, teorias da conspiração e o fim do mundo.


Já contei sobre o meu novo trabalho? Então, eu sou a senhora "analista de marketing I" de uma importante indústria farmacêutica, que foi comprada recentemente por uma importante multinacional, dentro de um importante pólo farmoquímico. Embora pareça pomposo, tem menos importância do que parece, tenho pelo menos quatro chefes, muitas responsabilidades, um banco de horas com muitas horas positivas e uma gripe que já dura quase um mês (presente do ar-condicionado). Dentre todas as coisas que eu faço, "analiso", me mandam e eu obedeço com todas as restrições que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária oferece à minha criatividade, eu ainda alimento com as minhas moedinhas a máquina de café em frente a minha sala pelo menos umas três vezes ao dia, elaboro teorias da conspiração e discuto as prováveis formas de fim do mundo e extinção da raça humana com os meus colegas de trabalho.

Isso tem sido constante e nós já somos quase um grupo de estudos escatológicos, profetas do apocalipse, entendedores de línguas mortas e até ufólogos. Não me lembro ao certo como tudo começou, mas quando dei por mim, eu em minhas horas vagas (que já são poucas), no conforto do meu lar, também comecei a estudar sobre esses assuntos, e sinceramente quase acho que o mundo acaba mesmo nessa década. Se você começa a vasculhar as teorias e estudos astronômicos que já foram comprovados, junta com todos os cataclismas recorrentes, joga uma pitada de  misticismo, mistura bem com um pouco de ficção cinematográfica, reserve e verá o fim dos tempos, ou causará um sério dano à sua saúde mental. A minha mãe por exemplo me proibiu de falar sobre esse assunto, foi quando eu percebi que eu deveria dar fim à minha carreira de estudiosa do apocalipse e não pensar muito sobre isso, antes que fosse tarde e fundar uma comunidade hippie, passar a plantar maconha, não tomar banho, viver de paz, amor e algum artesanato, longe dos terremotos, tsunames, gripe suína, chipes implantados, abduções alienígenas e anticristos, só esperando o alinhamento dos planetas e o segundo sol, parecesse o certo a fazer.

Enfim, foi em uma das conversas sobre teorias da conspiração que o gerente do meu departamento nos contou sobre a FEMA - Federal Emergency Management Agency, uma agência do governo dos Estados Unidos da América direcionada para serviços de emergência na ocorrência de desastres, tanto naturais quanto provocados pelo homem. Segundo as pesquisas que ele fez, esse orgão do governo estadunidense já estocou mais de 500.000 caixões que cabem mais ou menos umas 5 pessoas cada, em uma espécie de "campo de concentração", esperando algum cataclisma de proporções bíblicas, dá até pra ver no Google Maps ( só eu, ou mais alguém também não conseguiu ver?), mas o mais espantoso disso tudo, são as teorias da conspiração elaboradas sobre, de que haveriam planos de extermínio liderados pelos Illuminatis, que daria fim a 2/3 da população, e estariam sendo colocados em prática através de uma arma biológica e letal: a vacina contra o vírus H1N1, dentre tantas outras formas criativas de matar gente.

Entendam que eu não digo que acredito nessas teorias, mas é de se pensar né? E de qualquer forma a minha gripe de um mês não vai me deixar tomar a vacina por agora, o que talvez seja bom, me dá mais tempo para observar se as pessoas vão começar a morrer empestiadas ou se tornarão uma nação zumbi.

Como eu ia dizendo, a FEMA.... Depois de lançar essa história sobre nossas cabeças, o gerente acreditava que as nossas vidas nunca mais seriam as mesmas depois dessa bombástica revelação. Eis que passados 5 minutos, o telefone toca e ele atende na nossa frente. Eu percebi que o sangue começava a lhe faltar no rosto, ele até então de pé, procura a cadeira mais próxima para desabar e gagueja: "FFFF-EE-MM-A?".
Do outro lado da linha a seguinte conversa se passa:

- Boa tarde senhor, estou falando da FEMA! (voz feminina robótica de operadora de telemarketing)
-  "FFFF-EE-MM-A? (o gerente em estado de choque)
- Sim senhor. FEMA distribuidora.

E enquanto nos contava, e ele voltava a sua cor normal, o gerente dava garagalhadas num misto de nervoso e alívio, enquanto ao mesmo tempo ainda olhava ao redor como se procurasse uma câmera, escutas ou sei lá o quê. Ficou me olhando esquisito depois...fiquei pensando se ele não estava achando que eu fosse um agente infiltrada, afinal eu só tenho 2 meses de casa. Pura teoria da conspiração...

Enquanto eu estoco comida no meu abrigo subterrâneo e tento voltar a minha normalidade, deixo para vocês refletirem sobre esses assuntos de alta complexidade...

sábado, 17 de abril de 2010

O dia em que eu sofri um atentado.

Como se não bastasse todo aquele cansaço, toda aquela ansiedade e fome, sofri um atentado terrorista. Há quem diga que foi castigo por sucumbir à dieta que já se arrastava por uma ininterrupta semana com o objetivo firme de entrar em um almejado vestido, outros se apoiam na teoria do azar que paira sobre a cor dos cabelos vermelhos, existe as explicações científicas do fato, algo conhecido como choque térmico coisa e tal, mas eu particularmente acho que uma coxinha tentou me matar.

Já ouvi falar em bomba calórica e considerando que 100g de coxinha de frango possui em média 211 calorias não é de se espantar que esse tipo de alimentação seja um estouro no organismo de qualquer um. Porém uma coxinha terrorista explodiu na minha boca e não estou usando de linguagem figurada.

Eu agora conhecida como "Joyce Jolie" tenho metade da minha boca inchada e em carne viva, além de umas duas queimaduras no braço esquerdo originadas do recheio que espirrou. O lado positivo é que talvez eu não consiga comer coxinha ou qualquer outra coisa por um tempo, o vestido vai servir!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Hotel do Coração Partido.

Hoje eu sinto o meu coração baqueado, com um remendo grosseiro e mal feito. Hinóspito. Meio esquecido. Para compartilhar essas besteirinhas sentimentais que me deixam chata e chorosa, eu selecionei esse curta para preencher as lacunas do meu e dos demais coraçõezinhos mal tratados.

"Alguns hotéis são grandes demais para uma só pessoa."



Ficha Técnica
Gênero: Animação
Diretor: Raoni Assis
Ano: 2006
Duração: 5 min
Cor: Colorido
Bitola: Vídeo
País: Brasil
Local de Produção: PE

quarta-feira, 31 de março de 2010

Por favor, obrigada!

Dia de frango grelhado. O cheiro forte de comida por todo o refeitório da empresa com certeza vai grudar no cabelo, nas roupas e eu vou lembrar do almoço o dia inteiro, pensava eu distraída enquanto a moça servia meu prato, me desejou bom apetite e ainda perguntou se eu queria doce de leite, mantendo um sorriso de orelha a orelha, como em um comercial de Mc Donald's. Eu horrorizada com a delicadeza, guaguejei um obrigada meio desconfiada, imaginando que ela poderia ter cuspido no meu prato, colocado laxante no doce ou pudesse estar escondendo uma faca, pronta para voar por mim sobre o balcão enlouquecida.

Tá, descontroles a parte, só eu ando vivendo nesse mundo viking? Aconteceram uma série de eventos mal educados nos últimos tempos, que me fez desejar que as profecias apocalípticas se concretizassem e o mundo realmente acabasse em 2012, extinguindo a raça humana da Terra.

Então antes que o próximo meteoro caia fazendo um buraco de proporções quilométricas e uma nuvem de poeira gigante impessa o sol de brilhar matando tudo quanto é ser vivo, prometo controlar a força do meu pensamento e darei meu testemunho:

Cena 1 - Sexta feira passada, 7:15 da manhã, enquanto esperava o ônibus que me levaria para mais um dia de trabalho, uma moça bebendo um refrigerante em copinho descartável, pára ao meu lado e ao terminar joga o pequeno recipiente plástico no chão. Ficamos assistindo àquilo, eu e a lixeira que estava a poucos centímetros dali. Devo ter feito uma cara de exterminadora do futuro ao me deslocar, abaixar, pegar o amontoado de plástico e jogar onde ele deveria ter sido jogado. A moça fez uma expressão de susto, seguida de uma de deboche...como se eu fosse a maior trouxa da galáxia. Porém, já no ônibus ela se sentiu intimidada a sentar no único lugar vago, que era ao meu lado, então passou a viagem em pé, na outra extremidade do veículo, enquanto o capitão planeta deixava o meu corpo lentamente.

Cena 2 - Mesmo dia, final do expediente, 17:40 da tarde, chuva a valer e eu na saga para pegar outro ônibus, dessa vez para Goiânia. Consigo pegar a última poltrona vaga no coletivo lotado, o que eu achei ótimo, já que eu estava cansada, úmida e com uma mochila pesada nas costas. Era só reclinar e acordar só na rodoviária. Não é que entra de última hora uma senhora de idade, carregando um amontoado de sacolas e fica em pé ali do meu lado. Eu achando que tava sendo super gentil, ofereci o meu lugar pra ela, que de primeira recusou e ainda fez uma cara de ofendida. Eu, tonta, insisti imaginando que ela não aguentaria viajar 40 min em pé, e ela acabou aceitando. Enquanto eu desajeitada me colocava de pé tentando ajeitar a mochila nas costas aguardava com um sorriso simpático no rosto pelo obrigado que era certo, mas que não veio. A senhora simplesmente sentou e ficou carrancuda, como se eu não tivesse feito mais do que minha obrigação e ainda a tivesse chamado de velha, sei lá. Resultado: viajei até Teresópolis em pé, ou seja uns 20 min sendo carregada feito porco pelo motorista psicótico.

E há quem queira me convencer de que existe mais bondade que maldade no mundo, mais gentileza que brutalidade, mais compaixão que indiferença. E até me convencem, porque eu talvez seja uma otimista sem remédio, um pouco sem sorte, já que diz a lenda que "ruiva dá azar". Tudo bem, desde que aquele meteoro não caía na minha cabeça...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Superstição para quem acredita.

Eu tinha um texto pronto sobre o meu carnaval para postar aqui, mas me pareceu meio sem sentido falar disso agora depois de tanto tempo. Resumindo muito mesmo: fomos - eu e a Carol - ao casório da Marci, que se casou duas vezes com o mesmo cara em menos de dois meses, nos perdemos no trajeto Anápolis - Itapuranga, quase colocamos fogo na casa da anfitriã, dei uma bronca na noiva  por fazer a simpatia de colocar o meu nome no vestido sem meu consentimento, passamos vergonha a valer em uma cidadezinha típica de interior com direito a praça, Igreja e banquinhos na porta das casas, tudo contribuindo para um primor de carnaval! Enfim, dessa história toda, eu acho que deveria apenas contar para quem quiser saber ( e pra quem não quiser também) que as minhas amigas (inclusive a minha irmã) andam todas casando, e que isso me assusta com uma força tamanha, o que pode significar algumas coisas: a) essa galera toda está enlouquecendo (que é uma hipótese aceitável); b) eu estou ficando para tia (que eu diria que é mais que aceitável, na atual conjuntura da situação) ou c) pode ser que a minha vez também esteja chegando (e isso está difícil de imaginar e até aceitar). E como eu cheguei a essa conclusão? Peguei o buquê, ou melhor dizendo ele me pegou! O ramalhete de rosas vermelhas caiu certeiro aos meus pés, como toda mulher adoraria e como eu se quer sonhei...eu que estava ali de gaiata, por pura brincadeira, certa de que não aconteceria comigo, fui condenada a ser a próxima ( pelo menos é o que dizem)  e ao mesmo tempo senti 527 olhares me fuzilando, de aspirantes à noivas que tiveram o seu sonho dourado de casamento próximo, despedaçado por mim.

Não que eu acredite nessas coisas...mas né? Cair no meu pé como se fosse uma sentença, é assustador! E aí eu fico me sabotando, acho que é nítida a minha expressão de pânico quando qualquer espécime do gênero masculino se aproxima de mim, que seja para perguntar as horas. Como se a qualquer momento ele pudesse dizer "Oi! Quer casar?", e o pior, como se eu pudesse numa atitude desesperada aceitar o primeiro pedido. Que insano! É mais difícil ainda quando se tem quase 1/4 de século de idade e se sofre a pressão de ser a filha mais velha encalhada, as avós impacientes com enxovais guardados, a ansiedade da família toda para que eu tenha filhos bochechudos e engraçadinhos, emanando muita fofura.

Com toda sinceridade eu nunca me preocupei com essas questões, aliás sempre fui bem resolvida quanto a isso. Sempre me imaginava bem sucedida na profissão, independente, ganhando meu dinheiro, viajando por aí, constituir família seria a última coisa a pensar e a idéia de casar parecia um pouco boba, já que eu meio que não acredito em "felizes para sempre!". A realidade agora é outra, não gosto da minha profissão, não tenho a menor idéia do que quero fazer, trabalho só pra ter dinheiro (que nem é muito) e não viajo, porque além de não ter tempo, sempre sobra mês. Por que essa história toda tem mexido comigo eu não sei, talvez seja o relógio biológico apitando, algum medo incosciente de um futuro solitário, porque no fundo eu queira que o "felizes para sempre exista" ou só é paranóia da vez que logo passa.

No fim das contas o que eu quero dizer é que eu não quero casar por minha opção, mas ao mesmo tempo eu tenho medo de que eu não tenha opção se um dia eu decidir por querer, e se chegar em um determinado momento da minha vida e eu não tiver essa escolha? Dá pra entender? Se não, vamos seguir mesmo assim...Eu comecei a pirar com isso quando me perguntaram em uma entrevista de emprego "como eu me vejo daqui a 5 anos". É uma pergunta que eles fazem esperando ouvir uma grande mentira, acho que ninguém sabe muito bem como responder, pelo menos eu não sabia. Fiquei olhando com cara de nada para moça, enquanto imaginava uma vida triste, já que os meus últimos 5 anos não foram dos melhores e eu diria que apesar de grandes mudanças nenhuma foi muito significativa. E se eu tiver mais 5 anos iguais a esses, eu temo por mim, de verdade! Contei minha mentirinha enfeitada pra ela, me sentindo meio mal por não poder ser sincera, mostrando quão boa profissional eu seria pra empresa e fui embora reflexiva para casa, sem saber ao certo se eu queria mesmo aquele emprego, que eu consegui mesmo assim (conto depois para vocês).

Por enquanto, que eu não sei o que a vida me reserva, eu prefiro ficar longe dos casamentos, pelo menos dos buquês de noiva. Evitarei também sentar-me em esquinas de mesa, que minha avó disse que atrai sogra ruim, caso eu tenha uma é melhor garantir que seja das boazinhas, na medida do possível.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O pequeno príncipe do cerrado



 "Desenha-me um peixe"

Acabo de voltar da fazenda São Bento, em Alto Paraíso de Goiás, lugar que eu adoro. Acompanhei o vovô na viagem que ele fez a trabalho, fui tentar levar tranquilidade para a tia que não sabe onde colocar tanta preocupação com os problemas, colocar o irmão em enrascada, ver ganso carente de amor pela galinha pensar que é gato e roçar nas pernas da gente pedindo carinho (oi?) e tomar meu primeiro banho de cachoeira do ano para dar uma carregada nas energias, ou eu diria melhor, para dar uma assustada na alma com aquela água gelada.

Nesses três dias de isolamento no meio do mato, tentando encontrar paz, principalmente a interior, eu tive ao invés disso o caos. Voltei esgotada e completamente apaixonada. Só agora eu me dou conta disso, estou apaixonada! E começou como todo grande amor, primeiro se confunde com ódio e quando se dá conta o sentimento está ali, borbulhante e terno. E a saudade já me deixa desestruturada.

Carlos José, esse é o nome dele. Com toda a fofura e hiperatividade do alto de seus 4 anos de idade, esse meu priminho usou de alguns golpes baixos para me conquistar. Me chamando de "lindinha" quando queria alguma coisa, brincando de pescar a sereia enquanto simulava me fisgar, e fingindo dormir no trajeto da cidade para a fazenda só pra eu carregá-lo no colo, do carro até a cama.

Sempre atrás de mim com um caderno de desenho e um porção de canetinhas ele me pedia para desenhar peixes de todas as cores e todas as espécies. Como o meu conhecimento sobre peixes não é lá muito vasto, depois do peixe espada, peixe bola e peixe palhaço não conhecia mais nenhum, então até "peixe vaca" surgiu na terra para preencher o aquário de papel. Ele descobriu que eu era um fracasso na pescaria, quando não soube desenhar um pirarucu, ou só sentiu-se incomodado com as gargalhadas que eu deixei escapar ao ouví-lo dizer "piranucu", então ele mudou sua obsessão para trens e eu me vi desenhando cargueiros e estradas de ferro a toda hora.

É claro que eu tive vontade de matá-lo algumas horas (ó a confusão com o ódio aí), quando ele me obrigava a correr atrás dele sob ameaça de "fugir pra rua e virar bandido" (era o que ele dizia sempre que era contrariado), quando me fazia lavá-lo com mangueira em quintal alheio, depois de ter rolado na lama brincando de polícia e resgantando um chinelo, ou quando entrava no meu quarto gritando, querendo brincar e eu já embaixo do cobertor quase dormindo. Nem esses pequenos inconvenientes me fizeram menos encantada.

Como não o vejo sempre, talvez o encanto acabe daqui a uns anos quando ele se tornar  um adolescente rebelde sem causa  e me achar uma adulta chata e sem muita paciência. Quando os peixes inexistentes e trens de cargas com estrada de ferro em montanhas sinuosas forem esquecidos...




sábado, 16 de janeiro de 2010

Orange Sky

Certa noite eu tive um sonho com um céu cor de laranja e bicicletas que subiam escadarias de torres de castelos. Ao chegar lá no alto eu saltava de uma pra outra; que eram bem próximas; como se fizesse vôos curtos, sentindo o vento no rosto ao subir e aquele frio na barriga ao descer. Se eu caísse, só subia outra torre e recomeçava como se nunca houvesse caído. Estranho e bonito foi assim que foi. E eu nem queria acordar. Lembrei-me disso porque me desafiaram hoje a pensar sobre felicidade...e se eu pudesse descrevê-la seria assim como um sonho cor de cenoura, estranho e bonito.

E falando em cenoura...

Todos os dias, religiosamente na hora do almoço, minha avó dá uma cenoura para cada cachorro aqui de casa. Eles parecem sofrer de alguma síndrome de coelho, pulam, balançam o rabinho, fazem a maior festa por causa do petisco. E eu comecei a pensar que bom seria se a nossa felicidade, o auge do nossa alegria, se resumisse a uma cenoura diária. Seria bem fácil viver, estaríamos sempre bronzeados e com vitamina A para dar e vender. Mas infelizmente precisamos mais que cenouras...e não fica muito bem balançarmos o rabinho.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A tendência da estação.

O serviço de metereologia do joelho esquerdo mandou avisar que há previsão de pancadas de chuva no final da tarde, mas que o dia vai estar claro; e usando de toda a dramaticidade do mais alto nível que eu consigo expressar; com um sol daqueles de elevar a temperatura dos gélidos corações. Então veranear parece certo e o azul do céu é tão forte e tão bonito que seria inaceitável deixar qualquer ponta de tristeza cutucar. Aquela que incessante vinha tentando fazer estragos de dimensões de terremotos de 9,5 na escala Richter. Hoje não. É verão e no calor que faz eu já perco água e cloreto de sódio demais do corpo, isso só de suor; qualquer lágrima teimosa em rolar ainda me leva a um sério quadro de desidratação.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Vejamos se o velhinho é bom mesmo!

Querido Papai Noel,

Ou posso te chamar de Noel? Nô? Já disse que você fica bem de vermelho? E acho até que emagreceu, a circunferência da barriguinha parece bem mais estreita...tá malhando né?
Então, o negócio é o seguinte: preciso de tantas coisas que nem sei o que pedir primeiro. Sei que fui boa menina durante todo o ano, bem como durante toda a vida (pelo menos enquanto estavam olhando =P) e não haveria motivo algum para que o senhor, digo, você não me atendesse. Se der para quebrar meu galho eu agradeceria imensamente. Sem falar que esse ano de 2009 não foi muito fácil sabe? Eu deveria ganhar um bônus por ter sobrevivido a ele. Tudo bem, esquece o bônus, se der para trazer paciência, sabedoria, força para enfrentar 2010, amor (que eu não sou de ferro!), muito trabalho, saúde e um pouquinho de jujuba, já está de bom tamanho. Para mim e para as pessoas da minha "bem querência"...Se não for pedir muito! Ah! E se puder me ajudar a perder uns quilinhos também seria bom (mas traz as jujubas antes!).
Caso não dê para trazer tudo de uma vez na noite de natal, pode vir em doses homeopáticas durante o ano todo, não tem importância.
Desculpe o trabalhão, mas é que eu tenho que recorrer a quem eu puder. Se você não conseguir atender meu pedido, deve ter o esquema e saber como eu posso conseguir, não? Poxa você é um cara popular e tem credibilidade com as criancinhas do mundo todo, não deve ser tão difícil para você.
Bom, te espero por aqui então...vem com um casaquinho leve, que aqui tem feito muito calor. Se cuida!
Beijo.