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quarta-feira, 7 de março de 2012

Apenas precauções.

Qual a probabilidade de uma borboleta bruxa entrar pela janela do seu carro, enquanto você dirige? Enredar no seu cabelo, fazer com que você grite e chacoalhe como uma louca obsediada e quase cause um acidente de trânsito de proporções homéricas? Pontos para a borboleta, que me fez protagonizar uma das cenas mais ridículas e surreais da minha vida. Eu já logo interpretei minha luta com esse "adorável" inseto como sinal de mal agouro. Como eu sei que é azar? Perdi é claro! A borboleta saiu do carro depois de alguns intermináveis minutos fazendo banana. E eu que não vou dar mole não....comecei a tomar banhos com meu sabonete da sorte (um que ganhei na virada do ano de alguém que achou que eu precisava muito!), que diga-se de passagem não tem cumprido tão bem a sua finalidade, muito embora a minha esperança é de que eu seja inundada de uma maré de sorte assim que ele acabar. Eu ganhei junto, um sabonete do amor e outro da fortuna também, mas decidi ser mais esperta e não queimar cartucho antes de saber se o da sorte vai funcionar.
E Talvez você esteja pensando que eu possa ter tomado banhos da sorte demais e gastado um pouco o cérebro de tanto esfregar a cabeça...Talvez você esteja certo mesmo! Que besteira! Sabonete da sorte? O que eu estava pensando? Eu deveria ter começado pelo da fortuna, porque com dinheiro eu posso conseguir todo o resto! 


Vamos em frente que a sorte ainda está por vir..."

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Colonização lunática.

Estamos prontos pra ir pra casa nova!
Sem querer que pareça poesia, mas o mundo da lua é para mim, desde criança, um refúgio. Meu esconderijo secreto, o lugar preferido de todos aqueles que em algum momento da vida não sabem para onde ir, ou simplesmente querem se desligar de alguma forma desse planeta. Eu não pago a viagem, nem estadia, aluguel ou pedágio, e essa é a maravilha da coisa toda.

Temo que daqui há uns tempos eu não possa circular tão livremente pelo nosso satélite natural. É que alguém - segundo ouvi dizer - resolveu privatizar a lua e anda vendendo acres de terra (ou de lua) por lá. Também achei que fosse lorota, mas não é que fiquei surpresa de poder confirmar a história, vendo com meus próprios olhos, uma escritura de um terreno lunar, em uma cratera com vista para a Terra. Escritura essa, de uma pessoa do meu convívio, da qual nunca duvidei que fosse capaz de fazer algo tão excêntrico, mas que terá sua identidade preservada porque não me foi permitido tanta exposição.

Diante de risadas e comentários incrédulos, a pessoa em questão me mostrou os documentos e até me permitiu fotografar para provar seu mais novo, que nem é tão novo (de 2008), e lunático investimento. (Mas no caso perdi as fotos, portanto, acreditem na minha palavra!)

Como pessoa investigativa e curiosa que sou, fui na minha fonte favorita de informação: o Google, pesquisar de qual era essa de venderem crateras. Encontrei informações impressionantes sobre o assunto. O grande colonizador da lua, que atende pelo sugestivo nome de The Head Cheese, já vendeu a milhares de pessoas ao redor do mundo, terrenos lunares por uma bagatela de R$57,00 o acre. E o mais interessante é que nunca se escondeu algumas peculiaridades dos imóveis como: a não existência de ar ou água, temperaturas tórridas de 110°C durante o dia e -155°C à noite. Ainda assim, as pessoas acreditam que algum dia será possível e até necessário ligar para o disk mudança para transportar umas coisinhas para a lua.

Fiquei pensando quem poderia ter dado a esse Sr, a permissão para vender tais propriedades? Para manter esse tipo de negócio, ele se baseia no Tratado de Espaço Exterior das Nações Unidas, de 1967. O tratado, elaborado durante a corrida espacial, no auge da Guerra Fria entre EUA e a ex-União Soviética, decretou o espaço "propriedade de toda a Humanidade". No entanto, não fica comprovado qualquer valor legal nesse negócio.

Isso significa então que a Lua continua sendo de todos. Em qualquer fase, em qualquer planeta. Portanto, comprar um pedaço de lá, seria tão somente para assegurar uma propriedade que já é nossa. Comprar uma falsa garantia de poder ter um lugar dos sonhos só para si. Um investimento de luná...digo sonhadores, que acreditam num futuro, que distante ou não, não deveria ser descartado de forma alguma.

Eu ficaria honrada em um dia ser vizinha do pequeno príncipe, mas não pagaria a nenhum cabeça de queijo para obter esse direito. A Lua é dos poetas, dos amantes, dos sonhadores, de todos os que a apreciam e é de graça, pelo menos por enquanto...




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Relato de Férias - Parte II

Agora que você já começou a ler o Relato de Férias - Parte I , como prometido, o mirabolante fim, da viagem e não o meu Graças à Deus. Vamos aos fatos: 

Ainda envolta no calor da emoção dos dias em Fortaleza, eu entro no avião às 15h da tarde para retornar à Goiás. Foi uma semana ótima, mas eu estava com saudade das minhas pessoas, dos meus cachorros e da minha casa, podem acreditar. A chegada estava prevista para às 18:30h. Tranquilo! Viajo de avião desde bebê, não com tanta frequência como gostaria, mas por vezes suficientes para não sentir medo de voar. Para não perder uma piada ruim, nem o oceano Pacífico era mais pacífico do que eu, e era assim tranquila que eu pensava em seguir viagem. 

Já na decolagem, o avião começou a dar sinais de que alguma coisa ia mal. Um alerta fez com que o comandante da aeronave abortasse a operação, mas tudo bem, era só um problema no ar condicionado, foi resolvido. Faço minha confissão de que me deu vontade de descer ali mesmo. Eu não costumo subestimar sinais, quem me conhece sabe que não. O avião subiu enfim e durante o vôo, mais sinais de que a coisa não ia bem surgiram com muita turbulência. Turbulência! Turbulência! O avião subia e descia como alguém de salto alto, quebrado, dançando "adocica meu amor, adocica!". 

As crianças chorando e pessoas vomitando ao meu redor, não foram o suficiente para me fazer perder a calma. Talvez quando a simpática senhora que estava ao meu lado tirou da bolsa um pequeno terço e começou a orar em voz baixa, eu tenha me apavorado um pouco. Quando ela pegou um caderninho e começou a escrever a oração, eu pensei "acho que f@#u!". Fiquei pensando que talvez a senhorinha estivesse pensando que uma oração por escrito seria mais formal. Se Deus é mesmo brasileiro, deve ser adepto das burocracias. Até a oração chegar em duas vias, registrada em cartório e carimbada...Comecei a rezar também para dar uma forcinha no processo.

Daí que o avião normalizou e parecia que havíamos chegado a Brasília, e havíamos mesmo. Só achei suspeito que o avião ficasse brincando de "Vou aterrizar? Vou não!", ele encosta os pneus em terra e decola de novo. O comandante anuncia que não pousamos devido às condições metereológicas não adequadas. Até que dava para perceber mesmo! Então ficamos sobrevoando por um tempo até que um novo anúncio foi feito: os militares haviam interditado o aeroporto porque Barack Obama, Sr. Presidente dos Estados Unidos da América estava em Brasília e partindo para o Rio de Janeiro, naquele mesmo instante. Não poderíamos pousar por 40 minutos. 

Dá para acreditar que isso estava acontecendo? Em uma semana fora do ar, a gente não se lembra que existem jornais, quiçá um mundo inteiro de acontecimentos que independem totalmente da sua vida, das suas férias e da sua viagem iluminada de sol. O tsunami no Japão não esperou que eu voltasse, o Obama veio e não me avisou, parece que dá aquela sensação momentânea de abdução alienígena.

Infelizmente não existem ainda postos de gasolina no céu, então diante dos últimos acontecimentos tivemos que ir para Confins, Minas Gerais, para abastecer o "avião do barulho", tipo sessão da tarde, se bem que estava mais para "O último vôo" do cine corujão, e eu não queria assistir nenhum não. A vontade que eu tinha era de gritar para os militares: "Ei! Me deixem descer, eu não sou de nada, só como marmelada....eu até acho o Obama simpático! Vou nem olhar para ele!". Quando eu ia pensar em dar uma passadinha em Minas naquele dia? Fui!

Passei mais umas 3 horas dentro do avião, com mais turbulência, mais choros e mais vômitos, dessa vez com uma novidade, um garotinho de uns 4 anos de idade cantava "rebolation" um tanto quanto alto e com todo o incentivo da mãe que o ajudava, porque se tem uma letra realmente difícil é dessa bela canção erudita. Em meu estado normal eu acharia até engraçadinho, mas sob estresse total, por mais horrível que isso pareça, eu  queria chutar o moleque pra fora do avião, sorte minhas pernas estarem dormentes. Depois de 6 horas sentada, a minha bunda já tinha criado a forma da poltrona e a minha simpatia por crianças escafedeu-se.

Quando a aterrizagem foi autorizada, esperamos: uns 20 minutos para taxiar, uma meia hora por nossa bagagem e pelos nervos aflorados de todo mundo, a morte de alguém a qualquer instante. No aeroporto, irmã e cunhado me receberam com cara de cansativas 4 horas de puro tédio e espera. Enfrentamos mais 2 horas de carro até Anápolis.

Não foi a viagem mais longa da minha vida, mas foi, digamos, a mais turbulenta. Por causa do Obama eu viajei 6 horas e não 2, fui para Minas Gerais, quase morri em queda de avião e quase matei uma criança. Disso ele nem sabe...


Obama, Obama nas alturas!

P.S: Queremos esclarecer que qualquer história parecida é mera coincidência, nenhuma criança foi chutada porque ainda amo esses bichinhos, nenhum passageiro morreu ou matou alguém e eu não gosto mais do Obama!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Relato de Férias - Parte I

Pose pra foto..."Olha o jegue!"

É, parece que estou numa boa!
Não posso dizer que estou descansada com toda essa ginástica doméstica que ando fazendo por conta das férias da secretária daqui de casa ter coincidido com as minhas, acho que lavar chão de banheiro tem tonificado bastante os meus bíceps! Sem falar que a cabeça ainda está a mil, mas os pensamentos estão mais organizados, tem até espaço para novos pensamentos; não aqueles diminutos que me consumiam, (tanto que no ritmo que estava, eu hoje era só um dedão do pé que lhes escreveria - cena um pouco bizarra!) estou mais para pensamentos otimistas, daqueles que a gente só tem em final de ano. 

Por essas e outras eu penso que deveriam haver férias pelo menos umas três vezes anuais. E se algum dia eu fosse rainha faria um decreto para descanso periódico de 4 em 4 meses, de no mínimo uns 15 dias. Também proibiria dancinhas coreografadas de axé e dias de chuva em Fortaleza. Como eu não tenho sangue nobre, o Brasil não é uma monarquia e eu não tenho mais 10 anos de idade para brincar disso, vamos levando...

Então, estive por uma semana em terras cearenses. Tudo correu mais que bem: a água de coco estava gelada, o sol escaldante, o filtro solar era fator 100, tinha camarão aos montes e eu voltei para casa sem nenhum vintém, como já era mais que esperado. Sei que foram 7 dias com direito a hotel à beira mar, show de humor com a Rosicléia (e tenho que dar o braço a torcer que é muito engraçado); corrida pelas dunas, de bugue, guiado por um motorista "from hell"; passeio de jangada e mergulho; brigar com um mar bravo e sair  perdendo feio, com joelhos ralados e pagando peitinho (no meu caso peitão); ensandecer por 3 segundos de queda livre à 105 km/h no brinquedo sensação do beach park ; conhecer um italiano que fala português muito melhor do que eu, e aceitá-lo zoar meu sotaque por puxar o "R" ao falar beach paRRRRRRk e se enturmar com um grupo de rapazes catarinenses líndissimos que são "super stars" na cidade deles por comporem um grupo de pagode, tipo "molejão de Floripa", sabe? Não se pode ter tudo, mas eu estou muito satisfeita com minha viagem, mesmo tendo chovido dois dias e não tendo voltado com um bronzeado tipo garota dourada (vou nem mensionar sobre uma possível sabotagem: 15 conto no lixo, em um tal de "jet bronze", só para não passar vergonha aqui em Goiás, mas qualquer menção sobre esse assunto é intriga!).

Teria sido um final feliz para a minha história encantada de férias, porém desventuras também acontecem. Sabe aquele tipo de história para gente contar para os netos? Pois é, se algum dia eu tiver algum, talvez lhe conte essa história repetidas vezes (Porque os avós fazem isso né? Contam as histórias muitas e muitas vezes, e a gente escuta como quem o faz pela primeira vez!).

No entanto, conto o desfecho no próximo capítulo. Me cobrem...






quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Influenciável! E daí?

Nasci no interior de Goiás, no coração do Brasil. O meu estado é conhecido pela proliferação de cantores de música sertaneja e o meu país é reconhecido mundialmente pelo futebol. Embora, geograficamente falando, tudo contribuísse para que esse fosse meu mundo, esse não é o meu mundo. 

Aprendi com a minha família, desde pequenininha, a não praticar esportes, e diz a lenda que a culpa é de um joelho podre que é legado por várias gerações. Eu ainda não recebi essa herança, diga-se de passagem, mas ganhei um bocado de preguiça e faltou disposição. Enfim, contudo, eu não aprendi a gostar de esportes, tão pouco acompanhar jogos pela TV ou torcer religiosamente por um time, eu no máximo assisto ao vôlei, de preferência o masculino, porque eu acho que existem uns jogadores muito "bons" e isso é tudo. Sempre pensei que fosse aburdo as pessoas praticamente chorarem sangue se os seus times de futebol do coração perdessem. Elas sofrem muito e eu nunca pensei que pudesse ser sincero. Afinal de contas o que elas ganham com tudo isso? Não é só um jogo? Os craques do futebol ganham suas pequenas fortunas vencendo ou  não os jogos enquanto os torcedores enfartam nos estádios ou em frente aos televisores. E eu sempre achei que esse negócio de esporte era exercício do espírito competitivo, não é não?

Eu não entendia esse tipo de comportamento até ontem. 

Por uma ironia do destino fui trabalhar em uma grande empresa que patrocina cinco times de futebol. Por tanto, isso involuntariamente começou sim a fazer parte do meu mundo. Até então eu sempre encarei isso como uma planilha de excel, ou seja, faz parte do meu trabalho, é algo com que eu tenho que conviver, mas eu não preciso conhecer profundamente ou se quer gostar. Porém, ontem fui convidada a ir ao jogo do Goiás x Flamengo no Serra Dourada, ganhei um ingresso na área VIP, na torcida do Goiás com direito à um lanche generoso e ótimas companhias que me explicavam com paciência que os jogos no estádio não tinham replay e nem narração, que impedimento nem é tão difícil de entender, e que o cara todo vestido de preto não é de time nenhum é só o árbitro.

Depois de mais de três meses sem chuva, o céu decidiu desabar em água na cidade de Goiânia, tudo para deixar essa minha primeira experiência futibolística mais interessante. Não me importei de estar molhada dos pés a cabeça, nem de estar cansada à beça por conta do dia extenso de trabalho, tudo o que eu sentia era um arrepio na espinha de ver quase quatorze mil pessoas torcendo e cantando em coro, enquanto a chuva fina caia iluminada pelos refletores enormes, tão bonito de se ver que parecia até purpurina. Os vendedores ambulantes, surgindo do nada, gritando "Olha a capa!", como quem grita "olha a barata!", mais como quem assusta que como quem quer vender. Dentro desse mundo que eu nem podia imaginar me vi rodeada de gente velha, de crianças, de mulheres (que às vezes torciam muito mais que os homens), todos torcedores fiéis e apaixonados. 

Eu sofri, eu admito. Sofri porque em determinado momento me vi torcedora do Goiás como se o tivesse sido a vida toda, e o time é ruim para danar, e segundo me explicaram está rebaixado e talzs. Nada disso importou na verdade, fui na intenção de não torcer por ninguém, mas sou goiana né? Além de ser mais lógico que eu torcesse para o Goiás, aquela massa de torcida verde me contagiou de tal forma que eu vibrei como nunca!

O Flamengo fez dois gols no fim das contas, um contra e um nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Então se deu empate, suponho que a ruiva aqui não deu tanto azar. Gostei muito de ir a um estádio e digo até que iria outras vezes. Acho que tudo bem que eu comece a simpatizar com o esporte, eu vou conseguir sobreviver à essa mudança drástica de opinião.

Torcer acidentalmente para o Goiás e simpatizar com o futebol ainda vai, mas música sertaneja é algo que eu ainda tenho que acostumar. Eu tenho uma reputação musical a zelar, cresci ouvindo mpb, samba, rock, as boas músicas. Daí que tem uma porção de gente do meu convívio que gosta de música sertaneja e acha que essa é a boa música. 

Seria muito preconceito da minha parte dizer que eu abomino, até porque eu não tenho costume de ouvir.  Só que eu acho de verdade que todas as duplas sertanejas são exatamente iguais, as músicas são muito parecidas, tem ritmos grudentos, letras carregadas de clichês românticos e aquele vibrato na voz dos cantores que eu particularmente não gosto. Aí inventaram uma nova modalidade: o sertanejo universitário. Alguém sabe qual é a diferença? Para o público jovem, tudo bem.

Mas olha eu me entregando de novo e sendo influenciada pelo meio, admito que derrubei o meu muro das idéias pré concebidas e até já dancei de rosto coladinho ao som de "chora me liga" e quer saber eu achei tão bom! Pronto falei!

As pessoas que me conhecem há algum tempo, a essa altura do post devem estar um pouco preocupadas. Não precisa! Tá tudo bem, ainda sou eu! Pra eu vestir uma camisa de time e colocar um chapéu de aba na cabeça demora uma eternidade...


 "Cos amigo" sofrendo no Serra Dourada!

domingo, 5 de setembro de 2010

Meu interior não é tão bonito assim.


Tenho dentro de mim uma intrusa que me atormenta. Antes fosse minha consciência, mas não podia ser tão bom assim pra ser verdade. É a danada da H. Pylori, uma bactéria muito empenhada em me fazer sofrer. Ela me deu de presente uma gastrite, e como consequência uma dieta forçada que me fez abdicar das coisas que eu mais gosto de beber e comer. E o que é uma vida sem sacrifícios não é mesmo? É o que eu venho repetindo para mim mesma como um mantra.

Tive que visitar médico e eu tenho pavor. Na top lista das coisas do medo está par a par com rato, extraterrestre e luta de espada. Não gosto mesmo, fico nervosa, os sintomas se intensificam , e ainda tem os exames, que no meu dicionário significam picadas de agulha, seguidos de desmaios ou não, tudo vai depender da quantidade de sangue em demonstração. Nessa minha última visita ao médico, eu quase me senti feliz quando ele limitou os procedimentos a gel frio no abdômen e enfiar uma câmera guela abaixo para análise da minha beleza interior.

Sim, eu fiz ultrassonografia abdominal e a temida endoscopia ( e é essa a parte que eu não me sinto feliz...). Como se eu não estivesse apavorada o suficiente no período pré-exames, colhi alguns depoimentos interessantes de conhecidos: "É ruim demais! Se você fizer náusea na endoscopia vai sentir muita dor", " Me deram um sedativo e eu cantei a enfermeira!", "Eu xinguei a enfermeira!", "Achei que era pedra na vesícula e era bebê!". Nada como ser tranquilizada por aqueles que te querem bem.

No dia anterior aos exames, fiz minha última refeição como quem vai para a forca, comi meu prato predileto pouco me importando se me faria mal ou não, pedi a extrema unção e já pensava qual seriam as minhas últimas palavras. Chega  o grande dia e aquela sensação de que é a última vez que se vê a luz do sol aumentando, um filme da minha vida passa diante dos meus olhos. Pausa dramática para ressaltar que todo meu sofrimento era intenso e levei minha mãe para me acompanhar, porque, quem se não a mãe da gente para nos acalentar nessas horas tão difíceis? 

Enquanto esperava na salinha, eu via todas aquelas pessoas que também fariam a endoscopia. Para o meu desespero elas entravam e não saiam. A enfermeira abre a portinha e chama um por um com uma voz entediada e entediante que estava me deixando mais nervosa. "Joyce de Abreu Pfrimer". Sou eu!  Dei um pulo da cadeira, assustada o suficiente para esquecer bolsa e mãe para trás. Primeiro era a ultrassom, e foi até boa a sensação do gel frio na barriga, melhor ainda a sensação quando o médico disse que estava tudo normal e que não havia nada de errado com minha vesícula, rins, bexiga, útero e ovários. 

Em um lapso de inocência, pensei aliviada que não precisaria de endoscopia. Eis que o médico destrói o meu mundo e diz que não dava para ver meu estômago. Tensa de novo! Mais espera, mais pessoas que entram e não saem, e enfim chegou a minha vez. Entrei em uma sala bem branquinha e asseada como nunca vi, cumprimentei as enfermeiras, mas fiz questão de não olhar muito bem para o rosto delas, uma espécie de respeito ou medo das carrascas. Me fizeram deitar de lado e uma delas amarrou o meu braço e veio pra cima de mim com uma injeção imensa, a maior injeção que todo o meu medo infantil de médico conseguiu fantasiar e ela me disse que eu sentiria uma leve tontura. 

Apagão.

Foi tão frustrante, porque eu não consigo me lembrar de nada. Só acordei às 15:30 da tarde arrastando a língua para falar de tão zonza. Não sei se doeu, não sei se eu xinguei a enfermeira, eu não vi o médico, não lembro como fui para o carro, nem como cheguei em casa. Não sei se com todo mundo que faz esse exame é assim, mas essa sensação de abdução é esquisita. Fazem experimentos com você, tiram pedaços do seu estômago para biópsia e você não se lembra de nada. Depois disso contato de 4º grau é fichinha.

O resultado deu gastrite crônica e eu tive que esperar 2 semanas, por não haver horário no consultório e depois mais duas horas em uma sala de espera, sem almoçar, assistindo à propaganda eleitoral, e aprendendo nas revistas como "perder 5kg em um mês" (coisa que me pareceu óbvia seguindo a receita da  matéria que proibia qualquer alimento, pelo menos os que fossem gostosos) e "como enlouquecer meu gato na cama". São nesses momentos que você descobre o quão ignorante é. Me pareceu bem absurdo viver sem aquelas informações todo esse tempo.

Enfim depois de tanta espera e drama pessoal, o médico queria bater o record e leu meu exame, me passou uma receita de remédio, me deu um panfleto informativo para evitar a fadiga de ter que me explicar sobre a doença, restringiu a minha alimentação e disse que se minha dor não passasse não queria me ver nunca mais, tudo isso em inacreditáveis 3 minutos e 49 segundos. Achei muito simpático da parte dele, por toda a atenção que ele não me deu. Eu bem que tentei ficar calma, mas minha gastrite saiu ainda mais nervosa.







domingo, 27 de junho de 2010

"...Isso é lá com Santo Antônio..."


Passei o dia dos namorados com a minha mãe e como muita gente há de pensar, acho que isso é um mal sinal. Não que mamãe seja má companhia, muito pelo contrário porque mamãe tem adorado uma balada, estando mais nova que eu pelo menos uns 20 anos. Mas é mal sinal, porque desde que atingi meus psicológicos quarenta anos não consigo mais me animar para festas, dormir depois das duas da manhã e me atirar no mundo do flerte e da paquera. Dançar até o chão então só na base do óleo para as articulações, caso contrário fico lá mesmo: no chão.

E não é de admirar que me vi no dia 12 de junho em uma festa junina, com pessoas com o dobro, ou então metade da minha idade, vestidas com roupas trabalhadas na xita, xadrez, chapéus e trancinhas, dançando frenéticas uma quadrilha improvisada, bebendo e se divertindo, coisa que eu deveria também estar fazendo e até fiz, mais por inércia do que por vontade . Esqueci que era dia dos namorados, esqueci que estava sozinha e esqueci que eu tinha pseudos 40 anos.

Eu sempre adorei festa junina: as comidinhas, as bandeirolas, as brincadeiras, correio elegante, o figurino e as simpatias (que é de meu conhecimento recente). Dia 13 de junho é dia de Santo Antônio, e a véspera dessa data, segundo me explicaram, é tempo de esperança para moçoilas encalhadas, que travam uma batalha contra a solidão em busca do amor verdadeiro.

Talvez por falta de admitir eu não era uma delas até me convencerem a fazer a tal simpatia. Fiz, confesso que sem nenhum orgulho de o estar fazendo! E para me explicar e justificar, não foi um ato de desespero,  fiz por diversão e queiram por favor fingir acreditar!

A simpatia consistia em acender uma vela na intenção do Santo e pingar a cera em uma bacia com água limpa o número da minha idade. Depois do feito, aguardar pela revelação de uma letra que se formaria com a junção da cera sobre a água, que seria a inicial do meu príncipe, futuro amor, próxima vítima ou como queiram denominar. Eu sinceramente não enxerguei letra alguma, ao meu ver poderia ser um "D", um "P", um "T", um "L", até mesmo uma letra grega, porque a coisa ali estava mais amorfa que a minha vida amorosa, porém a moça que me ensinou a simpatia jura que ali se formou um "A". Caraca! "A" de "Advir" (há de vir!), pensei na hora.

Percebi ali uma certa implicância  de Santo Antônio que resolveu tirar uma com a minha cara, já não bastasse a humilhação de ter de lhe implorar por um amor, ele ainda se fez assim tão enigmático. E a simpatia não acabava aí...Eu teria de apagar a vela e escrever nela um pedido, lambuzá-la de mel, acendê-la novamente e deixar queimar até o fim. A moça que me induziu a esse pequeno ritual amoroso, ainda me benzeu, proferindo umas "palavras mágicas" para que tudo se realizasse, não me lembro bem o que ela dizia, mas tinha haver com encontrar amor eterno, fiel e não sei o que lá mais, abratisezamo, sinsalabim, alacazam, abracadabra, amém!". Ainda tinha alguma coisa de espetar uma bananeira à meia noite, mas eu não quis mais me prestar a esse papel. Talvez por uma superstição pessoal inconsciente sem muita explicação, eu tenho certo medo desses rituais que se passam à meia noite. Achei que era demais né?

Vamos dar um tempo para Santo Antônio trabalhar que o negócio não vai ser fácil não. Acho até que vai ser bem difícil, porque uma mulher "velha" assim como eu anda meio fechada para algumas coisas da vida e isso inclui amor. Tenho idade para isso mais não! É o que o meu cérebro e a minha crença de que nada disso funciona dizem...contestando a minha idade fisiológica e os meus hormônios que querem que essa simpatia dê certo "de cum força".

Arthurs, Antônios, Alexandres, Albertos....me aguardem! Diz a lenda e a benção que é pra sempre. Se der certo mesmo, fudeu!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Cafezinho, teorias da conspiração e o fim do mundo.


Já contei sobre o meu novo trabalho? Então, eu sou a senhora "analista de marketing I" de uma importante indústria farmacêutica, que foi comprada recentemente por uma importante multinacional, dentro de um importante pólo farmoquímico. Embora pareça pomposo, tem menos importância do que parece, tenho pelo menos quatro chefes, muitas responsabilidades, um banco de horas com muitas horas positivas e uma gripe que já dura quase um mês (presente do ar-condicionado). Dentre todas as coisas que eu faço, "analiso", me mandam e eu obedeço com todas as restrições que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária oferece à minha criatividade, eu ainda alimento com as minhas moedinhas a máquina de café em frente a minha sala pelo menos umas três vezes ao dia, elaboro teorias da conspiração e discuto as prováveis formas de fim do mundo e extinção da raça humana com os meus colegas de trabalho.

Isso tem sido constante e nós já somos quase um grupo de estudos escatológicos, profetas do apocalipse, entendedores de línguas mortas e até ufólogos. Não me lembro ao certo como tudo começou, mas quando dei por mim, eu em minhas horas vagas (que já são poucas), no conforto do meu lar, também comecei a estudar sobre esses assuntos, e sinceramente quase acho que o mundo acaba mesmo nessa década. Se você começa a vasculhar as teorias e estudos astronômicos que já foram comprovados, junta com todos os cataclismas recorrentes, joga uma pitada de  misticismo, mistura bem com um pouco de ficção cinematográfica, reserve e verá o fim dos tempos, ou causará um sério dano à sua saúde mental. A minha mãe por exemplo me proibiu de falar sobre esse assunto, foi quando eu percebi que eu deveria dar fim à minha carreira de estudiosa do apocalipse e não pensar muito sobre isso, antes que fosse tarde e fundar uma comunidade hippie, passar a plantar maconha, não tomar banho, viver de paz, amor e algum artesanato, longe dos terremotos, tsunames, gripe suína, chipes implantados, abduções alienígenas e anticristos, só esperando o alinhamento dos planetas e o segundo sol, parecesse o certo a fazer.

Enfim, foi em uma das conversas sobre teorias da conspiração que o gerente do meu departamento nos contou sobre a FEMA - Federal Emergency Management Agency, uma agência do governo dos Estados Unidos da América direcionada para serviços de emergência na ocorrência de desastres, tanto naturais quanto provocados pelo homem. Segundo as pesquisas que ele fez, esse orgão do governo estadunidense já estocou mais de 500.000 caixões que cabem mais ou menos umas 5 pessoas cada, em uma espécie de "campo de concentração", esperando algum cataclisma de proporções bíblicas, dá até pra ver no Google Maps ( só eu, ou mais alguém também não conseguiu ver?), mas o mais espantoso disso tudo, são as teorias da conspiração elaboradas sobre, de que haveriam planos de extermínio liderados pelos Illuminatis, que daria fim a 2/3 da população, e estariam sendo colocados em prática através de uma arma biológica e letal: a vacina contra o vírus H1N1, dentre tantas outras formas criativas de matar gente.

Entendam que eu não digo que acredito nessas teorias, mas é de se pensar né? E de qualquer forma a minha gripe de um mês não vai me deixar tomar a vacina por agora, o que talvez seja bom, me dá mais tempo para observar se as pessoas vão começar a morrer empestiadas ou se tornarão uma nação zumbi.

Como eu ia dizendo, a FEMA.... Depois de lançar essa história sobre nossas cabeças, o gerente acreditava que as nossas vidas nunca mais seriam as mesmas depois dessa bombástica revelação. Eis que passados 5 minutos, o telefone toca e ele atende na nossa frente. Eu percebi que o sangue começava a lhe faltar no rosto, ele até então de pé, procura a cadeira mais próxima para desabar e gagueja: "FFFF-EE-MM-A?".
Do outro lado da linha a seguinte conversa se passa:

- Boa tarde senhor, estou falando da FEMA! (voz feminina robótica de operadora de telemarketing)
-  "FFFF-EE-MM-A? (o gerente em estado de choque)
- Sim senhor. FEMA distribuidora.

E enquanto nos contava, e ele voltava a sua cor normal, o gerente dava garagalhadas num misto de nervoso e alívio, enquanto ao mesmo tempo ainda olhava ao redor como se procurasse uma câmera, escutas ou sei lá o quê. Ficou me olhando esquisito depois...fiquei pensando se ele não estava achando que eu fosse um agente infiltrada, afinal eu só tenho 2 meses de casa. Pura teoria da conspiração...

Enquanto eu estoco comida no meu abrigo subterrâneo e tento voltar a minha normalidade, deixo para vocês refletirem sobre esses assuntos de alta complexidade...

sábado, 17 de abril de 2010

O dia em que eu sofri um atentado.

Como se não bastasse todo aquele cansaço, toda aquela ansiedade e fome, sofri um atentado terrorista. Há quem diga que foi castigo por sucumbir à dieta que já se arrastava por uma ininterrupta semana com o objetivo firme de entrar em um almejado vestido, outros se apoiam na teoria do azar que paira sobre a cor dos cabelos vermelhos, existe as explicações científicas do fato, algo conhecido como choque térmico coisa e tal, mas eu particularmente acho que uma coxinha tentou me matar.

Já ouvi falar em bomba calórica e considerando que 100g de coxinha de frango possui em média 211 calorias não é de se espantar que esse tipo de alimentação seja um estouro no organismo de qualquer um. Porém uma coxinha terrorista explodiu na minha boca e não estou usando de linguagem figurada.

Eu agora conhecida como "Joyce Jolie" tenho metade da minha boca inchada e em carne viva, além de umas duas queimaduras no braço esquerdo originadas do recheio que espirrou. O lado positivo é que talvez eu não consiga comer coxinha ou qualquer outra coisa por um tempo, o vestido vai servir!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Por favor, obrigada!

Dia de frango grelhado. O cheiro forte de comida por todo o refeitório da empresa com certeza vai grudar no cabelo, nas roupas e eu vou lembrar do almoço o dia inteiro, pensava eu distraída enquanto a moça servia meu prato, me desejou bom apetite e ainda perguntou se eu queria doce de leite, mantendo um sorriso de orelha a orelha, como em um comercial de Mc Donald's. Eu horrorizada com a delicadeza, guaguejei um obrigada meio desconfiada, imaginando que ela poderia ter cuspido no meu prato, colocado laxante no doce ou pudesse estar escondendo uma faca, pronta para voar por mim sobre o balcão enlouquecida.

Tá, descontroles a parte, só eu ando vivendo nesse mundo viking? Aconteceram uma série de eventos mal educados nos últimos tempos, que me fez desejar que as profecias apocalípticas se concretizassem e o mundo realmente acabasse em 2012, extinguindo a raça humana da Terra.

Então antes que o próximo meteoro caia fazendo um buraco de proporções quilométricas e uma nuvem de poeira gigante impessa o sol de brilhar matando tudo quanto é ser vivo, prometo controlar a força do meu pensamento e darei meu testemunho:

Cena 1 - Sexta feira passada, 7:15 da manhã, enquanto esperava o ônibus que me levaria para mais um dia de trabalho, uma moça bebendo um refrigerante em copinho descartável, pára ao meu lado e ao terminar joga o pequeno recipiente plástico no chão. Ficamos assistindo àquilo, eu e a lixeira que estava a poucos centímetros dali. Devo ter feito uma cara de exterminadora do futuro ao me deslocar, abaixar, pegar o amontoado de plástico e jogar onde ele deveria ter sido jogado. A moça fez uma expressão de susto, seguida de uma de deboche...como se eu fosse a maior trouxa da galáxia. Porém, já no ônibus ela se sentiu intimidada a sentar no único lugar vago, que era ao meu lado, então passou a viagem em pé, na outra extremidade do veículo, enquanto o capitão planeta deixava o meu corpo lentamente.

Cena 2 - Mesmo dia, final do expediente, 17:40 da tarde, chuva a valer e eu na saga para pegar outro ônibus, dessa vez para Goiânia. Consigo pegar a última poltrona vaga no coletivo lotado, o que eu achei ótimo, já que eu estava cansada, úmida e com uma mochila pesada nas costas. Era só reclinar e acordar só na rodoviária. Não é que entra de última hora uma senhora de idade, carregando um amontoado de sacolas e fica em pé ali do meu lado. Eu achando que tava sendo super gentil, ofereci o meu lugar pra ela, que de primeira recusou e ainda fez uma cara de ofendida. Eu, tonta, insisti imaginando que ela não aguentaria viajar 40 min em pé, e ela acabou aceitando. Enquanto eu desajeitada me colocava de pé tentando ajeitar a mochila nas costas aguardava com um sorriso simpático no rosto pelo obrigado que era certo, mas que não veio. A senhora simplesmente sentou e ficou carrancuda, como se eu não tivesse feito mais do que minha obrigação e ainda a tivesse chamado de velha, sei lá. Resultado: viajei até Teresópolis em pé, ou seja uns 20 min sendo carregada feito porco pelo motorista psicótico.

E há quem queira me convencer de que existe mais bondade que maldade no mundo, mais gentileza que brutalidade, mais compaixão que indiferença. E até me convencem, porque eu talvez seja uma otimista sem remédio, um pouco sem sorte, já que diz a lenda que "ruiva dá azar". Tudo bem, desde que aquele meteoro não caía na minha cabeça...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Superstição para quem acredita.

Eu tinha um texto pronto sobre o meu carnaval para postar aqui, mas me pareceu meio sem sentido falar disso agora depois de tanto tempo. Resumindo muito mesmo: fomos - eu e a Carol - ao casório da Marci, que se casou duas vezes com o mesmo cara em menos de dois meses, nos perdemos no trajeto Anápolis - Itapuranga, quase colocamos fogo na casa da anfitriã, dei uma bronca na noiva  por fazer a simpatia de colocar o meu nome no vestido sem meu consentimento, passamos vergonha a valer em uma cidadezinha típica de interior com direito a praça, Igreja e banquinhos na porta das casas, tudo contribuindo para um primor de carnaval! Enfim, dessa história toda, eu acho que deveria apenas contar para quem quiser saber ( e pra quem não quiser também) que as minhas amigas (inclusive a minha irmã) andam todas casando, e que isso me assusta com uma força tamanha, o que pode significar algumas coisas: a) essa galera toda está enlouquecendo (que é uma hipótese aceitável); b) eu estou ficando para tia (que eu diria que é mais que aceitável, na atual conjuntura da situação) ou c) pode ser que a minha vez também esteja chegando (e isso está difícil de imaginar e até aceitar). E como eu cheguei a essa conclusão? Peguei o buquê, ou melhor dizendo ele me pegou! O ramalhete de rosas vermelhas caiu certeiro aos meus pés, como toda mulher adoraria e como eu se quer sonhei...eu que estava ali de gaiata, por pura brincadeira, certa de que não aconteceria comigo, fui condenada a ser a próxima ( pelo menos é o que dizem)  e ao mesmo tempo senti 527 olhares me fuzilando, de aspirantes à noivas que tiveram o seu sonho dourado de casamento próximo, despedaçado por mim.

Não que eu acredite nessas coisas...mas né? Cair no meu pé como se fosse uma sentença, é assustador! E aí eu fico me sabotando, acho que é nítida a minha expressão de pânico quando qualquer espécime do gênero masculino se aproxima de mim, que seja para perguntar as horas. Como se a qualquer momento ele pudesse dizer "Oi! Quer casar?", e o pior, como se eu pudesse numa atitude desesperada aceitar o primeiro pedido. Que insano! É mais difícil ainda quando se tem quase 1/4 de século de idade e se sofre a pressão de ser a filha mais velha encalhada, as avós impacientes com enxovais guardados, a ansiedade da família toda para que eu tenha filhos bochechudos e engraçadinhos, emanando muita fofura.

Com toda sinceridade eu nunca me preocupei com essas questões, aliás sempre fui bem resolvida quanto a isso. Sempre me imaginava bem sucedida na profissão, independente, ganhando meu dinheiro, viajando por aí, constituir família seria a última coisa a pensar e a idéia de casar parecia um pouco boba, já que eu meio que não acredito em "felizes para sempre!". A realidade agora é outra, não gosto da minha profissão, não tenho a menor idéia do que quero fazer, trabalho só pra ter dinheiro (que nem é muito) e não viajo, porque além de não ter tempo, sempre sobra mês. Por que essa história toda tem mexido comigo eu não sei, talvez seja o relógio biológico apitando, algum medo incosciente de um futuro solitário, porque no fundo eu queira que o "felizes para sempre exista" ou só é paranóia da vez que logo passa.

No fim das contas o que eu quero dizer é que eu não quero casar por minha opção, mas ao mesmo tempo eu tenho medo de que eu não tenha opção se um dia eu decidir por querer, e se chegar em um determinado momento da minha vida e eu não tiver essa escolha? Dá pra entender? Se não, vamos seguir mesmo assim...Eu comecei a pirar com isso quando me perguntaram em uma entrevista de emprego "como eu me vejo daqui a 5 anos". É uma pergunta que eles fazem esperando ouvir uma grande mentira, acho que ninguém sabe muito bem como responder, pelo menos eu não sabia. Fiquei olhando com cara de nada para moça, enquanto imaginava uma vida triste, já que os meus últimos 5 anos não foram dos melhores e eu diria que apesar de grandes mudanças nenhuma foi muito significativa. E se eu tiver mais 5 anos iguais a esses, eu temo por mim, de verdade! Contei minha mentirinha enfeitada pra ela, me sentindo meio mal por não poder ser sincera, mostrando quão boa profissional eu seria pra empresa e fui embora reflexiva para casa, sem saber ao certo se eu queria mesmo aquele emprego, que eu consegui mesmo assim (conto depois para vocês).

Por enquanto, que eu não sei o que a vida me reserva, eu prefiro ficar longe dos casamentos, pelo menos dos buquês de noiva. Evitarei também sentar-me em esquinas de mesa, que minha avó disse que atrai sogra ruim, caso eu tenha uma é melhor garantir que seja das boazinhas, na medida do possível.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O pequeno príncipe do cerrado



 "Desenha-me um peixe"

Acabo de voltar da fazenda São Bento, em Alto Paraíso de Goiás, lugar que eu adoro. Acompanhei o vovô na viagem que ele fez a trabalho, fui tentar levar tranquilidade para a tia que não sabe onde colocar tanta preocupação com os problemas, colocar o irmão em enrascada, ver ganso carente de amor pela galinha pensar que é gato e roçar nas pernas da gente pedindo carinho (oi?) e tomar meu primeiro banho de cachoeira do ano para dar uma carregada nas energias, ou eu diria melhor, para dar uma assustada na alma com aquela água gelada.

Nesses três dias de isolamento no meio do mato, tentando encontrar paz, principalmente a interior, eu tive ao invés disso o caos. Voltei esgotada e completamente apaixonada. Só agora eu me dou conta disso, estou apaixonada! E começou como todo grande amor, primeiro se confunde com ódio e quando se dá conta o sentimento está ali, borbulhante e terno. E a saudade já me deixa desestruturada.

Carlos José, esse é o nome dele. Com toda a fofura e hiperatividade do alto de seus 4 anos de idade, esse meu priminho usou de alguns golpes baixos para me conquistar. Me chamando de "lindinha" quando queria alguma coisa, brincando de pescar a sereia enquanto simulava me fisgar, e fingindo dormir no trajeto da cidade para a fazenda só pra eu carregá-lo no colo, do carro até a cama.

Sempre atrás de mim com um caderno de desenho e um porção de canetinhas ele me pedia para desenhar peixes de todas as cores e todas as espécies. Como o meu conhecimento sobre peixes não é lá muito vasto, depois do peixe espada, peixe bola e peixe palhaço não conhecia mais nenhum, então até "peixe vaca" surgiu na terra para preencher o aquário de papel. Ele descobriu que eu era um fracasso na pescaria, quando não soube desenhar um pirarucu, ou só sentiu-se incomodado com as gargalhadas que eu deixei escapar ao ouví-lo dizer "piranucu", então ele mudou sua obsessão para trens e eu me vi desenhando cargueiros e estradas de ferro a toda hora.

É claro que eu tive vontade de matá-lo algumas horas (ó a confusão com o ódio aí), quando ele me obrigava a correr atrás dele sob ameaça de "fugir pra rua e virar bandido" (era o que ele dizia sempre que era contrariado), quando me fazia lavá-lo com mangueira em quintal alheio, depois de ter rolado na lama brincando de polícia e resgantando um chinelo, ou quando entrava no meu quarto gritando, querendo brincar e eu já embaixo do cobertor quase dormindo. Nem esses pequenos inconvenientes me fizeram menos encantada.

Como não o vejo sempre, talvez o encanto acabe daqui a uns anos quando ele se tornar  um adolescente rebelde sem causa  e me achar uma adulta chata e sem muita paciência. Quando os peixes inexistentes e trens de cargas com estrada de ferro em montanhas sinuosas forem esquecidos...




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A casa das caixinhas de música.



Na casa das caixinhas de música não se ouve música. Não se ouve nada. Suas ilustres moradoras, bisa Lila e Tia Tica, possuem há certo tempo um adereço a mais nas orelhas além dos brincos: aparelhos auditivos. Então talvez eu esteja exagerando quando digo nada, se ouve muito pouco.

A bisa Lila teve dois filhos, minha avó Cleusa e o meu falecido tio Durval, que era casado com a tia Tica. Tio Durval era conhecido por ser um homem de poucas palavras e por sua peculiar coleção de caixinhas de música. Tem moinho, piano, carrossel, carruagem, guarda-roupa, bailarina, é só dar corda que a casa toda canta.

Já deve ter mais de 100 anos a pequena morada do bairro do Ipiranga. As janelas de madeira enormes, originalmente pintadas de branco, já tiveram o seu charme, a pintura das paredes agora gasta e escura pela foligem e poluição da cidade de São Paulo, acompanhadas de grandes rachaduras que vão do teto até o chão, uma escadinha pequena que leva a um pequeno alpendre, com algumas plantas, são imagens que me trazem vagas recordações da minha infância, e trazem lembranças de uma vida inteira para vovó Cleusa, minha atual companheira de viagem.

No caminho do aeroporto até a casa eu ouvi histórias da adolescência da vovó. Conheci o colégio em que ela estudara, a outra casa onde morara, onde aprendeu a tocar piano, onde a prima morava, onde a amiga fulana de tal fizera mil e tantas coisas. Histórias regadas a suspiros e saudade do lugar onde ela nasceu e cresceu. Acho gostoso de escutar e imaginar uma época diferente da minha, onde tudo era tão ingênuo e romântico. Época de andar de bondinho, homens galantes de chapéu e mulheres bem penteadas. Parece que tudo era tão bonito nas fotos.

Por falar em foto, conheci o meu bisavô Aristídes por uma fotografia. Não falam muito sobre ele, morreu muito jovem, quando a minha avó ainda era criança. Por todos os cômodos da casa existem lindos quadros e desenhos feitos por ele. O meu preferido é o que fica na sala, com dois cachorros garbosos, gosto de ficar observando a pelagem deles, as cores, os traços.

A casa além de cantar, range. Por ser toda de madeira por dentro, além do barulho que faz andar sobre os tacos velhos, tudo parece ter vida própria, os móveis antigos demais, as porcelanas, até as fotografias desde as mais antigas até as mais recentes. Eu tenho um fascínio especial pela escada escura em caracol no meio do hall de entrada que leva para os quartos, a clarabóia de vitral a cima dela dá um toque especial. Quando eu era criança eu tinha medo dela, mas ao mesmo tempo gostava de subir correndo e depois descer, só para me sentir a mais corajosa.

Mais coragem é preciso para ser a última a dormir na casa. Uma casa que range de dia é uma coisa, mas a noite, qualquer filme de terror não é nada. Por duas vezes já tive impressões de ter pessoas em lugares onde não deveria ter ninguém, fiquei despreocupada até a minha avó ter a mesma impressão. Depois disso passei a dormir mais cedo, enquanto todo mundo vai dormir. Não é que seja medo dessas coisas, imagina, mas é que eu não pretendo atrapalhar a atividade de qualquer fantasma que queira vagar por aí, melhor que eles assombrem enquanto eu estiver dormindo né?

Durante o dia, as horas passam devagar, não tem muito o que fazer. Meus assuntos de crochê, tricô e novelas nunca estiveram tão em dia, em meio a muita gritaria para se fazerem ouvir, vó Lila, tia Tica e vó Cleusa idolatram o Silvio Santos e comentam o noticiário “que só noticiam coisa ruim”, depois de darem o relatório de tudo que elas fizeram durante o dia, às vezes eu escuto mais de uma vez, que “o César comprou leite”, que “eu como muito pouco”, que “tem fruta na geladeira”, que elas comem sopa todo dia porque “a vó gosta”, que “tá chovendo”, com variações para “olha como chove!”.

Desde que eu cheguei o passatempo preferido delas é me entupir de comida e me encher de perguntas. Elas ficam espantadas que eu não tenha um marido na minha idade; e a vó Lila já engatou até uma novena para que eu não tardasse a arrumar um, ela garantiu que não falha não. E não por excesso de cuidado comigo, mas porque elas adoram mesmo, aqui é o único lugar do mundo que brigam quando eu insisto em lavar a louça. As duas velhinhas quase entram nos tapas, mas a vó Lila ganha a maioria das batalhas, se deleitando com um pilha de pratos sujos. Aliás, está aí uma coisa que eu queria entender: gostar de tarefas domésticas. Em uma tarde fazendo companhia para a vó Lila, ela me contava que havia tido um sonho maravilhoso, e eufórica ela descrevia uma faxina incrível, ela deixava o chão e as janelas brilhando e concluiu com um suspiro dizendo: “foi o melhor sonho da minha vida”.

Acho que é a última vez que venho a essa casa. Ela está à venda, assim como as duas casas ao lado. E quando eu voltar para Anápolis a bisa Lila vem morar com a gente. A rua está em obras, o metrô agora vai passar por aqui, e provavelmente quem comprar as casas fará prédios ou pontos de comércio. As caixinhas de música? Cada um que vem aqui fazer uma visita leva uma de presente, embora elas não recebam muitas visitas. Levo algumas na mala comigo para Goiás, para que sempre que der corda em alguma, possa lembrar com carinho daquela casa no Ipiranga e de seus personagens tão queridos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

São os lactobacilos...


O que faz regime e está sofrendo com isso: - Yakult pode?
A que dá palpite: - Ah! acho que pode! regula a flora intestinal, deve poder!
O que faz regime e está sofrendo com isso: - Podia existir yakult de litro!
A que dá palpite: - Tá doido? Aquilo faz um estrago! É pra tomar um por dia!
O que faz regime e está sofrendo com isso: - Eu tomava uns 5 por dia e não me acontecia nada. Acho que é psicológico, se você pensa que vai fazer mal, faz mesmo!
A que dá palpite: - Pode ser...Eu lembro que quando eu era criança a minha mãe só me deixava tomar um, então eu sempre roubava o segundo da geladeira e ia tomar escondido atrás da casa, em um lugarzinho que tinha mais escondido.
A mãe surpresa com a revelação: - Ah, é? Você fazia isso? Não acredito!
A que dá palpite (sorrindo amarelo): ...aham...
A mãe surpresa com os preços: - Falar nisso, eu comprei yakult, mas um pacote só... Tá muito caro! Não tive coragem de comprar mais...Porque será que tá tão caro?
A que dá palpite: - Mãe! São os lactobacilos vivos! Já pensou o trabalho que não dá pra capturar um por um? Vivos ainda!

E coincidentemente falando em lactobacilos...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A piada complementar.

Vovô andando pela cidade com a vovó Beroquinha no bolso, encontra um amigo de longas datas, dos tempos em que era moço.

- Mas Rodolfo, Tu teve sorte! Casou com uma mulher pequena hein? Dos males o menor!


Tá bom! Parei de fazer posts relacionados ao tamanho da minha vovó!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Piada com o útero dos outros é refresco.


Essa semana eu fiquei preocupada. A minha querida Beroquinha voltou a ser mocinha e menstruar aos 70 anos. Consulta de médico marcada e exames feitos descobrimos que ela está grávida de um mioma, na verdade um miominha, do tamanho de um dedinho. Mas está tudo sob controle, não é nada grave. Mesmo assim o médico achou por bem retirar o útero, que depois de gerar criança só serve pra gerar câncer. Eu acho que tem é que tirar essa inhaca mesmo. Na verdade eu e o meu não temos uma relação muito amigável, e se o intento não fosse procriação eu arrancava o meu fora também sem dó. Já pensei em ficar só na base do plantar uma árvore e escrever um livro, mas acho que um filho combina bem com esse sentimento terno que toma conta de mim ao ver serzinhos pequenos e coisas fofas, que eu penso ser meu instinto maternal.

Mas voltando à minha pequenina vovó...

É certo que em casos que envolvem cirurgias, biópsias e tal, o paciente fica meio apreensivo, então os médicos se acham no dever de dar uma amenizada no clima. Em geral eles fazem comentários sobre o tempo, contam umas piadas ruins, ficam naquele stand-up comedy medicinal sem fim, mas vale para não tornar a consulta uma experiência traumática. E o médico que tentou ser agradável, deu a notícia da cirurgia para o meu avô da seguinte forma:

-"Sua mulher é tão pequenininha, e eu ainda vou tirar mais um pedaço dela!"

Na minha cabeça eu imagino essa fala seguida de risada malévola e interlocutor com um avental ensanguentado e um facão bem afiado. Eu espero que ele seja melhor médico que piadista.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Formigamento

Sete e vinte e três da manhã. A minha cadeira, meu computador e a minha mesa não me esperavam tão cedo. Em poucos minutos eles despertariam sedentos por sugar até a última gota da minha energia vital e roubar oito horas do meu dia. Recostada sobre a mesa, com a cabeça aninhada entre os meus braços, de olhos fechados, eu me deliciava com todo aquele silêncio e solidão da primeira hora da manhã. Me levantei ao sentir um formigamento no braço direito, causado logicamente, ou por incrível que pareça por uma formiga. Antes que eu até mesmo pensasse em afastá-la, ela seguiu seu caminho, como se eu nem estivesse ali, ou fosse só mais um obstáculo transponível. De repente outra formiga segue a mesma trilha, porém na "contra-mão". Já previa o choque entre elas, entretanto, elas pararam de frente uma para outra e a primeira formiga corou. Não é do meu conhecimento que as formigas fossem capazes de corar. A impressão que eu tinha é de que a luz havia baixado e que uma música suave ganhava volume, vinda de algum lugar que não conseguia descobrir a origem. A segunda formiga estendeu uma das seis patinhas para a primeira formiga e elas começaram a valsar sobre a minha mesa, graciosas, como se deslizassem de patins sobre o gelo. Da penumbra surgiram outros casais formigantes que de repente infestaram, ou melhor dizendo, enfestaram a minha mesa, fazendo coreografias impressionantemente sincronizadas, como um mini musical de Hollywood. A primeira música chegou ao fim para dar lugar a um ritmo latino, levando as pequenas dançarinas ao delírio e enquanto as observava fazendo a dança da cordinha com o fio do mouse, balançando seus ombrinhos frenéticas, consegui enxergar um pequeno cartaz grudado ao porta lápis que dizia:


Desde então, já avisei meu chefe que só chego no trabalho depois das oito. Nada de hora extra.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Asas pra que te quero.

Cá estou eu com um curativo nos calcanhares, com uma pomada cicatrizante para as minhas asas. Longe de querer me endeusar e me vangloriar, mas sim, hoje amanheci alada, tal qual o deus Hermes. Não é espantoso? Eu diria que aconteceram muitas coisas espantosas nessa semana. É informação demais para minha pobre cabeça e tudo o que eu preciso é alçar vôo, alijar qualquer peso, dar leveza ao meu espírito, enfim...a palavra de ordem é libertação.

É certo que a minha intenção não era fazer isso por agora, mas um tatuador à domicílio, uma idéia na cabeça e um desenho na ponta do lápis deixaram tudo muito convidativo e sedutor. O marido da irmã da minha tia que é casada com o irmão da minha mãe (deu pra entender?), que é de Goiânia, veio passar o feriado aqui em Anápolis. Ele não é tatuador profissional, pratica nas horas vagas nos amigos, nos familiares, nos amigos dos amigos e nos amigos dos amigos dos familiares....ou seja, eu me candidatei à cobaia. Eu o observei tatuar minha prima e pude constatar: traços firmes...checado! Boa noção de cores, luz e sombra...checado! Desenha desde pequeno...perfeito! Peguei um papel, um lápis e desenhei minhas próprias asas. Minha mãe, fez o papel dela de mãe e é claro, ficou meio apreensiva "mas Joyce, asas? Nos calcanhares? É diferente, mas não é bonito. Não é tatuagem de mocinha delicada! Faz uma borboleta!".

E mocinha delicada faz tatuagem? Ahhh! acho que faz sim! Eu sou mocinha, acho que posso dizer que delicada e acabo de fazer duas tatuagens, fora a que eu já tenho há quatro anos. Sem essa de borboleta, me desculpem os que tem tatuagem de borboleta, mas é meio caído não é não? E eu já fiz logo duas de uma vez, que já me disseram que ter tatuagem em número par dá azar, então como eu já tenho uma nas costas, fiz uma asa de cada lado no calcanhar esquerdo, que é para sair voando por aí com um pouquinho mais de sorte. O que me preocupou de verdade foi só o quanto iria doer. Já haviam me dito que tatuagem nos pés doíam o infinito, e eu pensei que no calcanhar devia ser semelhante. "Para quem menstrua e tem cólicas todo mês isso não é nada", disse eu para os meus botões, e depois disso eles só ouviram o som ensurdecedor do motorzinho, pois eu me recusava a gritar a cada agulhada que me davam choques de tanta dor...ai como doeu! Se é como dizem que o sofrimento purifica, eis me aqui mais pura do que ontem e menos do que amanhã.

Vocês hão de me perdoar, como eu já disse antes, essa semana não foi fácil. Eu trabalhei muito para entregar todos os jobs no prazo, quase enlouqueci na agência, meu pulso latejou como nunca para que eu lembrasse que ele estava lá, que se eu não desse um tempo pra ele a tendinite ia pegar, tive que tomar decisões importantes para o meu profissional, mudar muitas coisas na minha maneira de pensar, confrontei sentimentos antigos já esquecidos, senti muita saudade do meu pai e tentei imaginar o que ele diria pra mim, fiz coisas das quais me arrependo profundamente, e algumas das quais eu tenho uma baita vergonha, tive que decidir entre corresponder à sentimentos ou magoar uma pessoa querida, tive de ouvir todos os conselhos, broncas e soluções para a minha vida fora de eixo, de todas as pessoas do planeta e receber todos os puxões de orelha que eu mereci e que eu não mereci também, tive que engolir seco coisas duras demais que eu ouvi em resposta a um pedido de socorro que foi praticamente ignorado, emprestei minha cama para os parentes que vieram nos visitar e dormi com a minha irmã que me socava a cada meia hora. Depois de tanto, além de pureza, eu tenho o meu passe livre pra surtar, ser impulsiva, inconsequente e querer criar minhas asinhas, penso eu.

Asas recém-nascidas. A minha avó quase caiu para trás, como era de se esperar e como foi com a primeira tatuagem, a minha tia disse que quando eu morrer eu vou para o "Vale dos tatuados", meu irmão foi lacônico e disse que achou legal, a minha irmã se empolgou e também fez um "bordado" no pé para felicidade e lucro do tatuador com a família Abreu. Então aproveitando a onda "vamos enlouquecer", no auge dos seus 47 anos, odontóloga, viúva, devota de Nossa Senhora, a minha mãe se libertou dos preconceitos, do medo da dor e se juntou às filhas, já que não deu para vencê-las. Fez uma tatuagem.

Me deu um orgulho danado da mamãe! Ela optou por um desenho que lhe desse proteção, e eu achei bonito isso. "Orai e Vigiai" , uma frase que meu pai repetia sempre, agora eternizada na pele dela junto com a santa a quem ela confia sua fé. Quem dera eu ter essa devoção em alguma coisa, ou em alguém...Agora a Dona Silvana anda por aí toda, toda, e só quer saber de usar regata pra mostrar pra todo mundo sua estripulia. E eu acho bom, confesso que eu me sinto mais segura em saber que quando eu for pro "Vale dos tatuados", eu vou ter um colo de mãe quentinho por lá. Eu gosto sobretudo de vê-la feliz assim.


Hoje é aniversário da flor, minha querida Sophia. Um beijo estalado e um abraço apertado...Ando com uma saudade danada dela e do meu "quininim".

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Desmaterializando a obra de arte.

Desmaterializando a obra de arte no fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta
Teu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
Caucado da revalorização da natureza morta
Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da gia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"
Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno
Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana
Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana
Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina
Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria.

Bienal - Zeca Baleiro


Esse desenho aí de cima, eu mesma fiz. Você achou bonito? Te fez pensar em quê? Tocou fundo no seu coração? Penduraria esse desenho na sala da sua casa? Não precisa dizer que gostou só para não me magoar. Eu sei que é horrendo, e não significa nada, nadinha. Ou melhor dizendo, para mim é uma carranca bêbada tentando beijar uma grávida com um vestido xadrez, presa num arame farpado, e eu juro q eu não pensei em nada disso para fazê-lo, eu simplesmente deixei a caneta deslizar no papel e saiu isso aí que vossos olhos presenciam. Eu poderia chamar a obra de: um nada em vermelho.

Acho que é assim que alguns dos artistas trabalham, ou pelo menos aqueles que não tem nada a dizer, fazem o que lhes dão na telha e pensam num significado obscuro depois, usando termos acima de qualquer suspeita no processo de convencimento no polêmico mundo das artes como: lúdico, representação do sonho através do surreal, arte de vanguarda, abstracionismo, traços minimalistas e toda essa conversinha que eles batem para a gente e engolimos, mesmo sabendo que na maioria das vezes é pura lorota.

Longe de mim dizer que arte é lorota, antes que os aficcionados por arte queiram que o teto da capela sistina caia sobre a minha cabeça, não é nada disso. Eu adoro arte, valorizo, respeito, e até me atrevo a fazer às vezes, mas como eu disse é polêmico. Quando eu era criancinha, na escola, tinha aulas de arte, e eu aprendi que arte é toda e qualquer forma de expressão humana. E eu entendo que todo artista se expressa como quer, mas e daí que a gente não entende o que vê ou não gosta? Posso até estar falando besteira sobre coisas que fogem ao meu entendimento, mas se eu não entendo, já não gosto, e se eu não gosto, não gosto mesmo.

Sexta-feira passada eu e uns amigos fomos à uma exposição na Galeria de Artes Antônio Sibasolly. O pai do Tiago, o Isacc Alarcão estava expondo seu trabalho fotográfico, muito bom por sinal, "Natureza em foco", no anexo da galeria e a exposição principal era de um curitibano que eu não me lembro bem o nome, e que nem importa, já que eu meio que vou detonar com o trabalho dele. Embora eu estivesse interessada em prestigiar as obras, confesso vergonhosamente que o que me chamou até lá foi a boca livre.

Duas mortas de fome e eu (então somamos três devoradoras de salgadinhos grátis), chegamos cedo, participamos das solenidades, ouvimos discursos e explicações prévias do que veríamos a seguir. Não sei se foi a fome que me fez delirar, mas eu estava achando lindo o falatório do artista, eu imaginei que a obra dele fosse uma "coisadelouco" de tão boa. Ele se supervalorizou, criou em mim expectativas, me iludiu. E o que sempre acontece quando criamos expectativas demais? Decepção.

Eu fiquei realmente brava quando eu entrei na galeria. Caramba, era um apanhado de desenhos muito bizarros, minimalistas, feitos com caneta bic ora azul, ora preta, ora vermelha, em papel chamex. "Não, esse papel é mais caro, não é chamex!" o Tiago disse. E daí? O cara usou um papel caro, que parece chamex pra desenhar riscos parecidos com o que eu fiz lá em cima com caneta bic.

Para não ficar tudo mais entediante do que já estava, eu comecei a brincar com as meninas de tentar adivinhar o que estava desenhado (alguns pareciam teste de Rorschach). Nos empolgamos vendo homens de pedra, cogumelos, óvulos sendo fecundados por espermatozóides, dentre outras coisas que não convém citar. Como toda boa goiana (só consegue ver "co as mão"), uma das meninas apontava os rabiscos, encostando o dedo no papel inocentemente. Eis que avisaram: "Não encosta, cada obra custa por volta de $600,00". O quê? Tá doido moço? 600 dinheiros pra comprar papel chamex rabiscado?

"Ops! Foi mal aí!"

Caso algo de errado tivesse acontecido com essas obras, nós teríamos que deixar o dedo lá como pagamento. E eu definitivamente não ia querer um desenho daqueles na minha casa. Desculpa Seu artista, mas era muito feio. Além de que, deveríamos saber que não existe no planeta comida grátis em abundância. Com toda a nossa finesse, estapeamos uns três cada uma por torradinha e entre palitadas de dentes discretas e gafes que acabam acontecendo por excessos cometidos por pessoas esfomeadas, saimos à francesa para encher nossos pandus dignamente e salvar a noite com um pouco de sinuca.



sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Serial Killer

Já escurecia e a vontade de chegar em casa me fazia andar mais rápido. Girei a chave na fechadura e encontrei as luzes apagadas. Não conseguia enxergar nada a não ser a silhueta dos móveis. Sai tateando tudo até encontrar o interruptor, que não parecia estar onde sempre esteve. Chamei por qualquer viva alma e nada, nenhuma resposta. O silêncio profundo foi rompido pelo toque do telefone. No susto derrubei algumas sacolas que eu carregava. Do outro lado da linha uma voz sussurrava ofegante: "Te espero na Av. São Francisco em 15 min...se você não fizer o que eu estou mandando, vai sofrer as consequências: ....500 ABDOMINAIS SEM INTERVALO!".

Não foi bem assim que aconteceu, é claro, mas o fato é que a minha prima começou comigo um treinamento intensivo de corridas e ginásticas. Tudo para que eu perca a minha forma, aquela de barril que alguém costurou em mim enquanto eu dormia (só pode!). Um dia acordei, olhei para o reflexo no espelho e vi uma gordinha me olhando horrorizada e me perguntei: "Porque rolar se eu posso correr?", sem falar em voltar a servir nas minhas roupas, conseguir subir as escadas do prédio sem sentir o coração na boca e dar uma melhorada na auto-estima. Tem dado certo, já perdi 7 quilos.

Devo esse imenso feito à aquela velha e tímida senhora conhecida por Força de Vontade, e claro, à irmã dela, a Boca Fechada, mas devo imensamente à minha "serial killer": essa tal minha prima, que me recuso a dizer o nome por respeito à sua integridade (também interpretado como risco de 50 abdominais adicionais).

Vamos às explicações: Não que ela me mate de fazer exercícios. Não é isso. Ela no máximo me mata de rir sem graves consequências. A história é um pouco mais longa e mais boba. Essa mesma prima, um belo dia estava a conversar com uma amiga, e uma outra prima dela que tem um namorado estudante de educação física e elas comentavam sobre o garoto. Eis que a mãe da menina (da amiga) entra na conversa, muito simpática e inocente no seu comentário: "Que beleza! O curso de educação física é realmente muito bom! Então ele vai ser um serial killer?", na qual a menina responde "Espero que não!".

Agora nesse momento, vocês já devem imaginar que serial killer é no contexto, o equivalente a personal treiner. E depois de tomar conhecimento dessa história eu não consigo pensar em outra palavra para definir alguém que ganha a vida matando as gordurinhas do corpo alheio. Faz todo o sentido. Principalmente quando você acha que vai morrer de parada cardíaca, falta de ar ou a famosa "dor de viado", se conseguir correr mais dois passos. Foi assim que eu me senti nos primeiros dias de corrida. "Vamos lá! Só até a plaquinha, você consegue! Agora até a aquela árvore, vai!". E quando você percebe já correu até mais do que precisava e se prepara para uma dor alucinante nas pernas que vai te esperar no dia seguinte. Sem falar na dieta, que no começo você pensa que as suas tripas vão entrar em autofagia. Realmente te mata, mas eu tenho visto muitos benefícios nesse masoquismo diário.

Há malefícios também, não pra mim ainda, mas para minha prima talvez. Conta ela uma história que se passou na academia que ela começou a frequentar.Ela ia pra lá enquanto eu estava no trabalho, quando eu saia nos encontrávamos para nossos treinos. O lugar é destinado a homens e mulheres, uns só mantendo o corpo que Deus lhes deu, outros trabalhando pesado pra deixarem de ser pesados. Então sendo esse lugar frequentado por homens do tipo sarados, bonitões, alguns de músculos e cérebro inversamente proporcionais, é o que podemos chamar de vitrine de loja de grife, é bom para olhar, mas não compensa levar sendo que a gente encontra coisa melhor, às vezes com embalagem ruinzinha, porém produto de qualidade e mais barato no mercado.

Há exceções claro! Jamais deve-se avaliar um produto preconceituosamente pela embalagem. Acho que é valido experimentar às vezes. Minha prima também pensou assim, conheceu um carinha bonitinho, que puxou papo com ela algumas vezes, ofereceu carona, foi gentil, demonstrou ter massa encefálica, muitas coisas em comum e tal, era praticamente prêmio de loteria! Eles passaram a conversar randomicamente e ela sempre me contava feliz sobre os seus fortuitos encontros. Exceto por um dia que fomos treinar e ela com um semblante preocupado me disse que o garoto havia sumido sem rastro. E ela me contou tal qual fora a última conversa deles que tinha o seguinte final: "Bem, preciso ir! Estou sendo serial killer da minha prima e vou colocar ela pra correr!". Não dá pra julgar o moço mesmo.

Eu dei uma parada nas corridas porque a minha serial killer mudou de ramo de atividade física e tem se dedicado ao judô nas horas do treino. E treinar sozinha dá um cansaço, uma lezeira, e a minha vida anda tão corrida que eu mal acompanho, mas eu sei que tudo isso é desculpa que eu invento para máscarar a falta de vergonha na cara. Ser serial killer de si mesma dá um certo trabalho, mas eu percebi que nem é tão difícil se a gente pensar que se mata (ou "se morre?") um pouquinho todo dia. Eu vou voltar...Promessa de quem queria ter sido escoteira!